Fotografia de Nuno Ferreira Santos
O ÚLTIMO SEGREDO
O livro em epígrafe, assinado pelo jornalista José Rodrigues dos Santos, leva-nos até aos tempos bíblicos, mais propriamente até ao Novo Testamento. Baseando-se na investigação histórica e longe dos critérios teológicos que estiveram na origem do livro sagrado dos cristãos, não deixa pedra sobre pedra nos alicerces de uma das maiores e mais antigas religiões do mundo.
É um trabalho polémico que não deixou indiferentes as mais altas autoridades do catolicismo que teceram duras críticas ao texto e ao autor. Quiçá no pressuposto de que só os doutores em teologia estão habilitados a analisa a questão. E, a propósito, é bom lembrar que, talvez por essa razão, a História e a Teologia nunca andaram de mãos dadas.
Polémicas à parte, reconheça-se que o livro tem interesse, quanto mais não seja por apresentar o problema sob um ângulo a que não estamos habituados. Porém, como não há bela sem senão, parece-me que a metodologia utilizada por quem concebeu a obra é desadequada para abordar matérias relacionadas com a fé das pessoas. Sei perfeitamente que contar uma história absurda ao estilo do Dane Brown garante o sucesso de vendas. Mas fazê-lo como expediente para explanar um tema tão sério é, no mínimo, desonesto.
“SUITE 605” é ao mesmo tempo um livro interessante e desconfortável. Interessante, porque prende o leitor, tais são as suas revelações; desconfortável, porque confirma as nossas piores suspeições. Afinal, os nossos governantes, que nos deveriam proteger, estão ao serviço dos ricos e poderosos. O que, no contexto actual, equivale a dizer que estão ao serviço do crime organizado.
O que está a acontecer por esse mundo fora é assustador. Os governos que, por um lado, são literalmente paranóicos e até pidescos ao cobrarem os impostos ao cidadão comum, por outro lado, abençoam o maior esquema de fraude fiscal alguma vez perpetrado pela humanidade.
Tudo feito com o “arranjinho” dos paraísos fiscais. Estes, independentemente dos nomes que lhes dêem, não passam de expedientes para que os grandes lucros não sejam tributados. De tal forma que, em boa verdade, só os pobres é que pagam impostos. Ou seja, quem vai pagar a crise vai continuar a ser a classe que teimam ainda em chamar-lhe “média”.
E não deixa de ser curioso que, para os detentores do dinheiro e poder, esta crise veio mesmo a calhar, porque passou a haver mais uma justificação para esmagar ainda mais os pequenos contribuintes. E enquanto que uns poucos, sem escrúpulos, acumulam riquezas escandalosas, o povo, que trabalha e produz riqueza, está a ser reduzido à mais abjecta miséria. Conforme afirma José Vítor Malheiros, colunista do jornal “Público”, no posfácio desta obra […] os paraísos fiscais são ecossistemas por excelência do financiamento das ditaduras e das máfias, do tráfico de droga, da lavagem de dinheiro. Nenhum político honrado pode aceitar a sua existência. Urge portanto acabar com tal praga o mais depressa possível e custe o que custar.
Porém, no que respeita ao Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM), algo defendido com unhas e dentes por alguns madeirenses mais endinheirados e com o apoio total do Governo Regional, poder-se-á defender a sua existência dentro do princípio de que lá fora existem paraísos fiscais.
Ora o facto de outros países se aproveitarem da batota, tal argumento não é minimamente aceitável. Os Estados devem-se reger por princípios e nunca por conveniências (de uns quantos, diga-se de passagem). Dentro dessa ordem de ideias, fica aberta a porta para a instalação da prostituição organizada, da pornografia infantil, da livre circulação e consumo da droga e outras actividades, já que também geram lucros avultados e promovem o emprego.
Em conclusão: Se o Estado colabora com a fraude fiscal, quem somos nós, pequenos contribuintes, para não fazermos também a nossa batota? A Lei é igual para todos.
Imagem retirada da NET
Vou tentar resumir uma anedota com barbas. Não tem grande piada, mas vem mesmo a propósito do percurso do jardinismo que, de vitória em vitória, se aproxima a passos largos da derrota final.
Num hotel de vinte andares, decorria no piso térreo um concorrido baile. Às duas por três, declara-se um incêndio no último andar. Gera-se o pânico, as senhoras gritam, mas ao microfone aparece um cavalheiro que declara com ar solene:
— Mantenham-se serenos e continuem o baile. Nada vos vai acontecer. Eu sou o homem do pífaro!
E o baile prosseguiu. No entanto, à medida que o incêndio se propagava aos andares de baixo, repetia-se a cena do pânico e dos gritos. Porém, aparecia sempre o mesmo cavalheiro ao microfone a acalmar os ânimos, repetindo que era o homem do pífaro.
O resultado final foi o de todos os presentes morrerem queimados.
Moral da história: o tal cavalheiro NÃO ERA o homem do pífaro!
O mal dos políticos portugueses é só saberem governar quando não estão no poder. Quando estão de fora, sabem tudo e mais alguma coisa. Porém...
Imagem recebida por correio electrónico
Com Portugal à beira da falência, torna-se urgente minimizar os custos, nomeadamente os da governação da e administração pública. Porque é aqui que se têm notado os maiores desvarios no que respeita à utilização, quase sempre irresponsável, dos dinheiros dos contribuintes.
Como se sabe, neste particular, a Região Autónoma da Madeira, desde que foi institucionalizada, tem estado longe de se tornar um exemplo na matéria. Pelo contrário, a RAM acabou por se tornar mundialmente conhecida mais pelo descontrolo e ocultação dolosa do esbanjamento do que pelas suas maravilhas naturais.
Assim sendo, é altura de perguntar: será que uma pequena ilha onde vivem apenas cerca de 270.000 almas justifica um aparelho administrativo e político tão grande, com uma assembleia legislativa, secretarias regionais, carrões oficiais e mordomias escandalosas? Será que se justifica tanto espalhafato eleiçoeiro, como se daqui estivéssemos a governar o mundo todo?
A resposta já foi dada pelo Dr. Alberto João Jardim, que governou a solo. Porque, se algum mérito teve, foi o de provar por A+B que a autonomia não passa de uma artimanha para fugir ao controlo do Governo da República e que basta uma só pessoa, com meia dúzia de acólitos, para governar a ilha. Jardim, com o seu requintado espírito desportivo, não passa a bola a ninguém, para usar a metáfora futebolística, e faz o que muito bem lhe apetece. Porém, é bom que se refira, da mesma maneira em que o fez da forma desastrada e irresponsável que sabemos, poderia igualmente tê-lo feito dentro da legalidade democrática e com todo o acerto. Ou seja, mesmo sem os métodos ditatoriais de Jardim, é possível governar com muito menos gente.
O panorama político madeirense é uma lástima. Os secretários regionais não passam de uns paus mandados que não podem dar um suspiro (para não referir algo malcheiroso) sem o consentimento do chefe, a Assembleia não passa de uma câmara de ressonância do Governo e de uma oportunidade de a maioria governativa vexar e humilhar as oposições.
Se um governo regional ainda se pode aceitar minimamente — alguém tem de fazer o trabalho burocrático e conduzir os automóveis —, perante as dificuldades que hoje enfrentamos é difícil entender por que é que temos de pagar a ARL. Este órgão, que deveria ser o sacrário da autonomia e o orgulho dos madeirenses, durante mais de trinta anos de funcionamento (se tal se pode chamar á sua “actividade”), não produziu ainda um milímetro de trabalho útil. Pelo contrário, só serviu para desprestigiar a classe política e lançar a confusão. São 47 deputados, que nos custam os olhos da cara, a gozarem connosco. Positivamente. Porque nenhum é isento de responsabilidades.
Que os da maioria não tenham vergonha e se limitem a cumprir as ordens do Grande Timoneiro (quando deveria ser o contrário), ainda se entende, porque estão a defender o seu tachinho. Mas os restantes já não têm tal desculpa. Embora fingindo que estão zangados, vão engolindo de cabeça baixa todas as pílulas que o jardinismo lhes impõe. A isso chama-se cumplicidade porque deveriam, em nome da sua própria dignidade, dizer um rotundo NÃO à badalhoquice política. No mínimo, não comparecendo às sessões e deixar os outros a falar sozinhos.
Nicolau Maquiavel (Imagem retirada da NET)
Mal interpretado por muito boa gente, Nicolau Maquiavel passou à História como o grande inspirador das mais imaginativas tortuosidades praticadas no exercício do poder. Mas não. Partindo do princípio de que as cosas são como são e não como deveriam ser, este famoso precursor da ciência política, em plena época do renascimento, limitou-se a sistematizar de forma brilhante e pragmática todo o saber político da sua época. Saber este que se tornou intemporal e que, uma vez violado, quase sempre leva ao fracasso.
Abordo este tema a propósito de actual situação política da Madeira, porque achei oportuno retirar da sua obra mais conhecida “O Príncipe”, (escrita em 1513 e só publicada postumamente em 1532), o seguinte trecho:
«Pode chamar-se boa à crueldade (se é possível haver bem no mal) que se exerce somente uma vez, por necessidade de segurança, e depois se abandona e se converte o mais possível em benefício dos súbditos. A crueldade má é aquele que, embora ao princípio seja pequena, aumente com o tempo em vez de diminuir. Os que recorrem à primeira espécie de crueldade podem, com a ajuda de Deus e dos homens, encontrar qualquer remédio favorável […]. Quanto aos outros, é impossível manterem-se. Logo, convém notar que […] o ocupante[1] deve pensar em todas as crueldades que precisa de fazer e praticá-las imediatamente, de uma vez, para não ter de voltar ao mesmo processo e, não as renovando, tranquilizar os homens e conquistá-los pelos seus benefícios. Quem governar de outro modo, por medo ou mau cálculo, ver-se-á obrigado a ter a faca na mão e nunca poderá contar com os seus súbditos.»
Já não é segredo para ninguém o tremendo embaraço do Dr. Alberto João Jardim, que nunca foi capaz de planear seja o que for para lá de buracos contabilísticos, em apresentar um plano de resgate que abra uma porta, embora que muito apertada, ao saneamento financeiro da Região. Pelos vistos, ainda não percebeu que ele é o grande responsável pelo descalabro das contas da Madeira e tudo indica que, talvez por aconselhamento do presidente da JSD-M, irá anunciar as desgraças que nos esperam às mijinhas.
Ou seja, nos tempos que se avizinham, vamos ser confrontados, quase dia sim dia sim, com anúncios de mais uma “crueldade”. O que, em termos políticos, será fatal para o líder madeirense, conforme explicava Maquiavel há quase quinhentos anos.
Imagem retirada do DN-Madeira de 10/11/2011
Como qualquer ditador que se preze, o Sr. Dr. Alberto João Jardim fez um discurso longo em que se mostrou igual a si próprio.
E outra coisa não seria de esperar. A sua intervenção, recheada com as suas habituais falácias, fantasmas e fetiches, não foi mais do que uma repetição, travestida de boas maneiras, do que afirmou na campanha eleitoral.
Mais infalível do que um Papa, mais imaculado do que uma virgem pura, o líder madeirense vê-se como um iluminado que sabe tudo, num mundo de ignorantes, de aleivosos mal intencionados e de forças do mal ocultas e visíveis…
Enfim, Jardim não aprende mesmo, não é capaz do mais pequeno desvio, não tem culpa de nada e a crise não é com ele.
Lá diz o ditado: “quem torto nasce, torto morre”.
Imagem retirada da NET
João Gaspar Simões (1903-1987), escritor, ensaísta, historiador e crítico literário afirmava que só havia razão para se escrever quando se estava contra qualquer facto ou acontecimemto. Com efeito, as boas notícias não o são e o público, por razões que não vêm agora ao caso, só se interessa quando se fala do que está mal.
De qualquer forma, há de vez em quando boas razões para se noticiarem acontecimentos agradáveis, especialmente quando se destacam pela positiva e pela sua raridade.
Acabei de assistir na RTP ao discurso de Cavaco Silva no Conselho de Segurança da ONU. Para meu espanto e agrado e, ao contrário do ridículo em que, ao falarem em inglês, caíam Jorge Sampaio e José Sócrates (este com um inglês de envergonhar os abexins), vi o nosso Presidente da República discursar em Português. Ao fazê-lo revelou patriotismo, dignidade e sentido de Estado.
Até que enfim!
Neste tempo, para ganhar todas as eleições, Jardim resolveu dar um Rolls Royce aos madeirenses. Mas não tinha dinheiro para o pagar.
Agora, os madeirenses têm de apertar o cinto para pagar um Rolls Royce, quando um Fiat lhes chegava perfeitamente
Palavras da perdição.
Amen
Os meus links