CONTRA OS ABUSOS DO PODER VENHAM DONDE VIEREM
Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013
Holocausto com todos à portuguesa.

 Imagem retirada do DN-Madeira de 3 de fevereiro de 2013

 

 

      A pensão de reforma, tal como o salário dos trabalhadores, não pode ser de forma nenhuma equiparado aos propalados e demagógicos “direitos adquiridos” de que agora falam certas pessoas ligadas ao poder, na intenção de deitar poeira para os olhos dos portugueses. Não é. É o resultado de um contrato entre a entidade empregadora e o assalariado. A este, foi retirada uma parte da sua remuneração para que, uma vez chegada a idade da reforma, pudesse manter uma vida digna e dentro do estrato social a que pertence.

      De uma forma resumida, podemos dizer que, para tal, o Estado chamou a si a responsabilidade de gerir os dinheiros envolvidos, de forma a garantir por um lado os contributos dos utentes e por outro, o pagamento das pensões contratadas. De tal medida, decorre que o Estado passou a ter a obrigação de honrar os compromissos que assumiu, pagando integralmente o que é devido.

      Contudo, como todos sabemos, o quadro em que foram criados os mecanismos do sistema de pensões foi profundamente alterado. A pirâmide etária foi invertida e hoje há menos contribuintes do que pensionistas ou seja, o sistema montado deixou de funcionar devidamente. Situação que há muito foi identificada mas que os sucessivos governos, quiçá na ânsia de se manterem no poder, e na mais abjecta das irresponsabilidades, ignoraram olimpicamente. Na prática, nada foi feito para lá de uns tantos truques de engenharia financeira, só para “inglês ver”.

      Claro que, mais tarde ou mais cedo, a castanha teria de rebentar, o que veio a acontecer no governo do “engenheiro” Pinto de Sousa. E agora não há dinheiro para nada, a não ser para a classe política e para uns quantos cidadãos que continuam inexplicavelmente a viver à tripa forra e à custa da desgraça alheia.

      Entretanto, as camadas mais jovens da população produtiva, com o exemplo deste triste cenário, já percebeu que o Estado não é pessoa de bem e que muito pouco ou mesmo nada nada irão receber quando deixarem de trabalhar. Muito naturalmente, não querem pagar os erros da governação e recusam-se a contribuír de boa vontade para o sistema. Conscientes de que no futuro os espera a miséria, não se importam com a desgraça dos mais velhos.

      Perante esta situação, os governantes, em vez de reconhecerem o falhanço, dizerem que não há dinheiro, moralizarem o Estado, pedirem desculpas e tentarem minimizar a todo o custo os efeitos dos seus erros, parece que enveredaram por um caminho tortuoso, que faz lembrar os velhos tempos de Adolfo Hitler. Este, lembro, para roubar os teres e haveres dos judeus, tratou de os diabolizar, culpando-os de todos os males. E decretou, pura e simplesmente, o seu extermínio da forma mais cruel, sistemática e cínica. Não esquecendo contudo a apropriação de todos os seus bens....

      Talvez eu esteja a exagerar um pouco, mas os sintomas são inquietantes: há dias o próprio Primeiro Ministro, no seu costumeiro discurso desastrado, afirmou despudoradamente que os pensionistas estão a receber dinheiro que não pagaram. Depois, tomando parte na orquestração, um deputado da maioria classificou-os de “peste grisalha”. Doença que, como se sabe, tem de ser combatida sem tréguas, com tenacidade e determinação ou seja, matar o mal pela raiz. E, dessa forma, o ambiente entre a geração dos que trabalham e a geração dos reformados está visivelmente a azedar, o que muito facilitará a aplicação dos garrotes nas vítimas.

      E como se tudo isto não bastasse, para ajudar a festa, um banqueiro tem ainda a distinta lata de sugerir, ainda que disfarçadamente, o caminho a seguir: vegetarmos (nós, os reformados) na rua e na indigência.

 

      Para finalizar esta nota que já vai longa, apraz-me dizer que tenho a certeza de que a geração dos actuais reformados, como gente de bem, aceita, mais uma vez, os sacrifícios que têm pela frente. Porque percebe que não há outro caminho para reparar os erros do passado e continua, apesar de tudo, preocupada com o futuro dos seus filhos. O que os pensionistas nunca aceitarão é a que lei não seja igual para todos e, muito menos, aceitarão a ignóbil utilização desses expedientes propagandísticos para os fragilizarem ainda mais.

      Os reformados são patriotas. Porém, é bom não esquecer que, embora sejam velhos, não são parvos.


Imagem retirada da NET



ADITAMENTO:

 

Nem de propósito, acabei de receber por correio electrónico (são 19H39) a seguinte informação:

Nota: talvez seja boa ideia esclarecer que a senhora D. Isabel Diana é casada com o senhor Fernando Ulrich.

E esta hein?



publicado por Fernando Vouga às 16:22
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5 comentários:
De jorge figueira a 4 de Fevereiro de 2013 às 23:22
Na nossa juventude dizia-se que os comunistas comiam criancinhas ao pequeno almoço, e injectavam um produto letal atrás do orelha dos mais velhos, a partir do momento em que deixavam de ser úteis "ao processo produtivo". Esta governação que, tenderá a ser mais autoritária à medida que as coisas forem azedando, não impõe que se comam criancinhas, mas retira-lhes a comida. Os reformados que, fazendo das tripas coração, socorrem filhos e netos são humilhados por gente com muito pouco préstimo e ainda menos vergonha, que assumem políticos. Eles não esquecem uma coisa: capitalizar. Fazem-no nas suas contas bancárias baseados mas mordomias e nos créditos para cursos superiores. Findas as funções de Ministro, Relvas será Prof. Dr. Pensando melhor, já não precisará, talvez funde um banco. Voltando aos nossos 19/20 anos, como ouvíamos, no cinema, nas Actualidades Francesas antes filme: assim vai o Mundo.


De Fernando Vouga a 5 de Fevereiro de 2013 às 17:43
Caro Jorge


No que toca às pensões, é tudo muito simples de entender porque o sistema funciona como um seguro. Se o beneficiário morrer antes de atingir a idade de reforma, o Estado fica com o dinheiro dos descontos. Se tal não acontecer, há duas situações a considerar: se a morte chega antes de o beneficiário gastar o dinheiro investido o Estado tem lucro, caso contrário, tem prejuízo.
Nos seguros  é a mesma coisa. Se não houver sinistros, a seguradora fica com o dinheiro das anuidades: caso contrário, arrisca-se que a que o sinistro ocorra antes de o segurado pagar o correspondente ao montante do prémio a pagar e assim ter prejuízo.
Por outras palavras, há riscos inerentes aos contratos celebrados entre as partes e para ambas as partes. 
O que não pode acontecer, é o lado mais forte (seguradora ou Estado) não honrar os compromissos. Ou seja, não pode haver vigarice.


De jorge figueira a 5 de Fevereiro de 2013 às 18:30
É óbvio que as coisas são como refere, numa sociedade que viva nas regras de um sistema capitalista. Analisei o problema de modo a abarcar as opções imponderadas que se foram tomando ao longo destes trinta anos onde tudo se passou como se a Segurança Social fosse um saco sem fundo. Inventaram-se coberturas para os riscos abrangidos pela antiga  "Previdência Social" que a levariam à ruptura. Podemos começar pelos trabalhadores rurais que, politicamente, eram uma "infecção" grave. Acaba-se na Segurança Social da Madeira que, parece-me não apresenta contas que permitam separá-la do todo nacional. Não convirá...os "cubanos" que paguem...    


De António Trancoso a 7 de Fevereiro de 2013 às 01:19
Caro Monteiro Vouga
Se escrevo o que estou a pensar...apanho perpétua!
Um abraço.


De António Trancoso a 7 de Fevereiro de 2013 às 08:57
Caro Monteiro Vouga
Este governo é tão competente que conseguiu a equiparar uma Contribuição a um Imposto!!! Mais, ainda! Demonstrou que o Cálculo Actuarial é uma batata podre, logo descartável. E, não contente, com toda esta inovação empreendedora, retirou do seu dicionário o conceito de mutualidade. Estou a pensar votar nestes iluminados...pela primeira vez!


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