CONTRA OS ABUSOS DO PODER VENHAM DONDE VIEREM
Terça-feira, 2 de Maio de 2006
Nascer em Espanha...

A Rainha Beatriz da Holanda

  

Anos atrás, tive que me deslocar ao Canadá em serviço. Mais propriamente à sua capital, a cidade de Ottawa. Como tive um dia livre antes de iniciar a viagem de regresso a Portugal, aproveitei para fazer de autocarro um circuito turístico pela cidade. Fiquei maravilhado com o que vi. Uma cidade moderna com belos edifícios, bem delineada, onde a paisagem urbana alterna com bosques, cascatas, canais, e magníficos jardins. Tudo muito limpo e arrumado.
Mas não é para descrever esta bela cidade que estou a “teclar” estas linhas. O que pretendo aqui é chamar a atenção para um pequeno pormenor que nunca esqueci e que hoje me parece oportuno recordar. Numa unidade hospitalar da cidade, há um quarto que, ainda hoje, é território holandês.
A história é simples. A família real holandesa teve que abandonar a sua Pátria para não ser feita prisioneira pelas tropas de Hitler, aquando da ocupação da Holanda pelos alemães, na segunda guerra mundial. E a princesa Juliana, mãe da actual rainha Beatriz, refugiou-se posteriormente na capital canadiana onde, em 1943, deu à luz uma menina, a terceira, a quem deu o nome de Margriet. Porém, para que um membro dessa família não nascesse fora do território nacional, as autoridades canadianas concordaram em que o referido quarto do hospital fosse considerado para todos os efeitos território holandês.
Este curioso episódio, apesar de ter acontecido apenas porque se tratava de membros da realeza, não deixa de ter significado pelo que revela da importância de se nascer em solo pátrio. Magriet podia muito bem ter nascido no Canadá e ser registada no seu Consulado como cidadã holandesa. Mas foi assim, porque o local de nascimento é, por tradição, um factor de grande peso na assunção da nacionalidade. Uma espécie de direito natural inalienável.
Desgraçadamente, em Portugal, os mais altos responsáveis da Nação já não pensam assim e as futuras mães da região de Elvas vão ter que dar à luz em solo espanhol. Uma vergonha! E parece-me impensável que qualquer outro país que se preze enverede por tal política. A começar pelos nuestros hermanos, que nunca se sujeitariam a semelhante humilhação.                                      
Pelos vistos, nascer em solo pátrio é de somenos importância face à poupança de uns miseráveis trocos que, diga-se em abono da verdade, não terão grande peso na economia do país, tal é o descaminho que os dinheiros públicos estão a levar. Embora seja inviável garantir que todos os filhos de emigrantes portugueses nasçam em solo pátrio, como aconteceu à princesa holandesa, parece da mais elementar decência que se garanta tal situação a quem viva no País.
É evidente que o próximo passo na senda da poupança será, fatalmente, pedir aos espanhóis que nos venham governar porque, como se tem visto, com portugueses fica demasiado caro. Para lá de dar mau resultado.
 
Costa Monteiro


publicado por Fernando Vouga às 16:12
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8 comentários:
De Elsita a 2 de Maio de 2006 às 17:11
Nascer é só para quem pode!Começa logo ao nascer a descriminação. Logo aí se faz juz aos direitos da criança!Tristezas deste país pobre de espírito primeiro que todas as outras pobrezas que o assolam. Excelente post, que me transportou ás profundezas da memória escondidas no sotão das recordações. Boa semanita


De traumilla bimbi a 2 de Maio de 2006 às 23:13
Interessantíssima e muito pertinente a forma como escolheu chegar à ideia principal do seu texto através de um exemplo tão caricato. Um artigo que se torna muito mais marcante escrito desta forma do que se começasse pelo fim. Prova de que não há nada como uma boa história para transmitir uma grande verdade! E venham os espanhóis, que eu cá adoro tapas e não tenho complexos contra eles!


De Dulce a 4 de Maio de 2006 às 00:06
Venham os espanhóis, por favor!


De Fernando Vouga a 4 de Maio de 2006 às 11:14
E já agora, podia tabém vir a tropa espanhola. Só o dinheiro que se poupava em submarinos... E o próximo rei de Espanha até se chama Filipe...


De Luís Alves de Fraga a 5 de Maio de 2006 às 00:58
Gosto muito de passar férias em Espanha, de lá ir de visita, mas sinto-me melhor como português... Uma questão de feitio! Claro que se a minha família vivesse em Elvas e a minha mãe tivesse de se deslocar a Badajoz para me fazer ver a luz do dia... bom, aí acho que me sentiria chocado com as autoridades do meu país, porque não sendo nazis, até fazem dos bebés raianos seres expatriados. O Costa Monteiro, como sempre, «agarrou» bem o problema e deu-lhe a «volta» necessária. Não podemos dizer que os males que atravessamos sejam porque Portugal é um país pequeno; a Holanda é bem menor e tem capacidades que nos supera em toda a linha. Acima de tudo, somos pobres de espírito, facto que é lastimável. Na nossa terra falta-nos o engenho que, como Povo, somos capazes de mostrar ao serviço de outros. Que pena!


De Mauro Maia a 5 de Maio de 2006 às 22:13
Sem dúvida é horrível a questão da maternidade de Elvas. Só mesmo destes mentecaptos que (des)governam o país... Mas também relembro aqui os casos de Portugueses que forçados nascem espanhóis. Não é uma escolha, é uma imposição: Olivença é portuguesa, internacionalmente Portugal inclui Olivença, os olivenses ainda falam Português (apesar de proibidos de escrever ou ensiná-lo). Sentem-se portugueses de coração mas são forçados a serem espanhóis. Quer dizer, por um lado Portugal ainda reclama (será que este governo o faz ainda?) Olivença, por outro quer que portugueses nasçam em Espanha... Acho que o artigo tem toda a razão quando refere que, se é por razões económicas, eles que governem o país: pior não podíamos ficar e, se eles já quase compraram Portugal, porque não governá-lo?


De maremoto a 6 de Maio de 2006 às 21:03
Portugal e o resto do território da Peninsula são realmente diferentes.
Gosto muito da Galiza, da Andaluzia e da Catalunha, menos da estremadura (Castela) do zona Basca e por razões diferentes dos picos e das montanhas de Aragão e de toda aquela zona fronteiriça com a frança, mas...Portugal tem "efectivamente" uma personalidade, uma identidade e uma nacionalidade que não confundivel ou misturável com aquilo que geralmente se chama Espanha.
Ter como local de nascimento Badajoz, apenas porque se mora junto à fronteira é um absurdo.
Só um Governo com um ministro iberista (Mário Lino) e um Primeiro que passa férias no Quénia, na Suiça e em todo o lado menos em Portugal é que a questão não é relevante.


De Fernando Vouga a 7 de Maio de 2006 às 01:14
Caro Maremoto
Não deixa de ser notável que nas crises de 1385 e de 1580 foi o povo em massa que recusou a soberania castelhana.
Mas não estou tão certo que hoje faça o mesmo. Ninguém sabe ao certo o que é isso de "Pátria". Tal tem sido o desleixo de quem nos (des)governa.


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