CONTRA OS ABUSOS DO PODER VENHAM DONDE VIEREM
Sábado, 1 de Julho de 2006
Madeirices

Bandeiras para quê?

 

        Comemoraram-se hoje os trinta anos da autonomia madeirense. Do programa constaram várias cerimónias e, como não podia deixar de ser, os usuais amuos entre as hostes do partido no Governo e das oposições.
        Para abrilhantar o acontecimento, o Governo madeirense comprou cerca de 230.000,00 € de bandeiras da Região para entregar de graça a todas as famílias. Pretendia assim assinalar a data com uma imensa exibição de bandeiras da Região, a atestar o empenhamento popular na sua tão querida autonomia.
        Porém, para quem hoje percorresse as ruas e estradas da ilha, foi notória a falta de vontade na sua colocação. Uma aqui, outra acolá, todas minúsculas, as tais bandeiras primaram pela ausência. Um rotundo e memorável fiasco.
        Levantam-se já vozes a defender que tal facto se deve à autêntica floresta de bandeiras Nacionais que, por toda a parte, flutuam ao vento por causa do desporto-rei…
        Raciocínio de mau perdedor, diga-se em abono da verdade. Porque não será de acreditar que algum madeirense de gema, que se deu ao trabalho de hastear uma bandeira Nacional na sua janela quintal ou varanda, sofresse de repente de um ataque de preguicite aguda, ao ponto de deixar a bandeira da sua Região na gaveta.
  
Costa Monteiro


publicado por Fernando Vouga às 22:19
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10 comentários:
De Alberta Fontes a 3 de Julho de 2006 às 00:10
O que se poderia comprar com €230 000,00? Uma bandeira ENORME, em vez de centenas de bandeirinhas? Uma nova bandeira nacional, para uma suposta nova nação? Talvez, se a nova nação coubesse também dentro desse orçamento. Mas não cabe. Nem nesse nem em nenhum outro, que a Madeira não é Tânger, nem o seu Presidente um Rei de tempos idos, para poder dispor dela como “quinta” sua.
Se o nacional-bairrismo bandeirista já começa a incomodar, pelo abuso do símbolo, somar a isso um regional-bairrismo do mesmo tipo, é resvalar no delírio…da concorrência.
Os Presidentes da República deste país sabemos, por experiência, que nunca abrirão a boca, ouçam o que ouvirem, vejam o que virem, haja o que houver. Se noutras ocasiões mais contundentes ficaram impávidos, não seria por dá cá aquela bandeira que iriam bulir. Mas… que diz a isso o Presidente da Alta Autoridade para a Concorrência? Já se pronunciou? A Madeira já foi convidada a inscrever-se?
Parece-me que, apesar dos rigores do clima, vale-nos a resistente sensatez dos madeirenses. Admiro-os. Sinceramente, admiro-os…e se não fosse todo o palavreado que acabei de escrever, garanto: erguia-lhes já aqui a NOSSA bandeira!



De maremoto a 4 de Julho de 2006 às 07:13
Essa questão da autonomia já foi chão que deu uvas. Tem piada essa do fiasco das bandeiras e da população não ter aderido. Times there are changing.


De Fernando Vouga a 7 de Julho de 2006 às 17:55
Obrigado, Alberta Fontes e Maremoto pelos vossos comentários. Por coincidência , hoje no Diário de Notícias da Madeira foi publicado um artigo da autoria de Carlos Pereira (que não conheço), do qual transcrevo esta passagem: "Toda a história da autonomia está assente num enorme e lamentável complexo de inferioridade". E eu concordo inteiramente. Já muitas vezes perguntei a vários madeirenses de gema: De que é que vocês se envergonham?


De Manuel a 8 de Julho de 2006 às 18:09
'Bandeirices'.
Que tudo vá bem.
Bom final de semana.
Manuel


De António José Trancoso a 10 de Julho de 2006 às 23:42
Por lapso coloquei um comentário inerente a este tema no "Ensaio sobre o mau gosto".
Ao Autor e aos seus leitores apresento as minhas desculpas.


De António José Trancoso a 11 de Julho de 2006 às 23:05
Com as necessárias correcções ortográficas e pequenas alterações de texto, recoloco no tema apropriado o comentário que por lapso situei noutro domínio:

A ausência generalizada dos muitos milhares das impostas "flamantes" bandeirinhas "autonómicas" talvez se deva a duas ordens de razões.
De um lado, estarão todos aqueles que desejando e tendo-se batido, correndo sérios riscos, pela Autonomia, não A dissociando, num plano muito mais vasto, do derrube do regime ditatorial e da implantação da Democracia, têm insuperável dificuldade em rever-se num símbolo perfeitamente conotado com o revanchismo terrorista dos antigos ultras locais (rapidamente convertidos e, actualmente, reclamando-se mesmo, sem decoro, vergonha ou remorso, de únicas e formais referências democráticas e autonómicas);
De outro lado, estará uma massa incauta e alienada (do copo e da espetada, da malcriadez demagógica, da "superioridade" impingida - base social de apoio de um Poder "religiosamente" tentaculado) que, recentemente, se viu confrontada com um terrível dilema:
A paixão pelo jogo da bola, exacerbada pelas mais elevadas expectativas depositadas na Selecção Portuguesa, erigida em Desígnio Nacional e, daí, a necessária e imperiosa identificação, patenteada pela profusão de Bandeiras de uma Pátria, agora, oportunistamente, Comum; e,
A desmotivação, para a repetição de idêntico ritual, sabendo-se, como se sabe, que o nível da "bola" regional é, na prática, o medíocre resultado de uma segunda, terceira ou quarta escolha em ligas estrangeiras, designadamente na brasileira, já que as “ cristianas águias da laurissilva” (poucas, muito poucas) mudam de ares, pousando e voando, de rica em rica bandeira.
E se, hoje, aquela massa estulta identifica a Pátria com o futebol, por que carga de água há de hastear uma bandeirinha sem qualquer pergaminho no domínio do chuto?
Pois...
Mas, aguardemos pelo “Te-Deum” do Chão da Lagoa, célebre pelos seus “eruditos” e sanitários sermões anti-rectangulares, plenos de "autonómicos pontapés" na Língua e Pátria de Camões.
Então, aí, sim, lá estarão as muitas bandeirinhas acenando a cada golo...na sua própria e esburacada baliza.
Enquanto houver vinho seco...


De Fernando Vouga a 13 de Julho de 2006 às 18:20
Foi com muita satisfação que vi hoje publicado no DN da Madeira este comentário. Um abraço de parabéns ao seu autor, António José Trancoso.


De tron a 30 de Julho de 2006 às 18:52
se fosse o scolari a pedir todos punham


De da Silva Costa a 12 de Novembro de 2006 às 16:00
certo certo é que o madeirense já não se vende por tão barato ao Tio João das festas. Vai longe a altura que pão e bolos enganavam os tolos.

Cumps e parabens pelo seu excelente post.

da Silva Costa


De Fernando Vouga a 12 de Novembro de 2006 às 18:50
Obrigado, da Silva Costa pelo seu comentário.

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