CONTRA OS ABUSOS DO PODER VENHAM DONDE VIEREM
Segunda-feira, 14 de Maio de 2007
Cartas do Brasil

Salvador - II parte

Largo do Pelourinho e Igreja de N. S. do Rosário dos Negros

    

Passar uns dias em Salvador sem visitar, pelo menos, o centro histórico é sacrilégio. Mesmo para aqueles que, como eu, já o visitaram mais de uma vez. E ele é isso mesmo: histórico. É um regresso a tempos idos, profundamente marcados pela presença portuguesa, com todas as suas glórias e misérias. Um passado de opulência e riqueza fácil que deu jus à expressão “abanar a árvore das patacas”. Épocas de prosperidade para uns e de desgraça para outros, especialmente para aqueles a quem foi destinada uma vida de escravatura e sofrimento.
Por todo o lado, somos confrontados com sinais inequívocos de quem detinha o poder na altura. São eles as grandes construções espalhadas por toda a cidade. Fortalezas, palácios, edifícios administrativos e, sobretudo, igrejas e mais igrejas. Há mesmo quem diga que na cidade e arredores existe uma para cada dia do ano. São quase sempre majestosas e os seus interiores sumptuosamente decorados. Nos seus claustros podemos encontrar o que há de melhor em azulejaria portuguesa e, nos interiores, admirar — eu diria pasmar — o melhor que se produziu em talha dourada. São toneladas de ouro em folha que brilham por todo o lado, num espectáculo ao mesmo tempo deslumbrante e esmagador. E digo esmagador, porque foi conseguido à custa do sofrimento de milhares de seres humanos que, com o beneplácito dos clérigos de então, foram condenados a trabalhos forçados sem julgamento e sem terem cometido nenhum crime.
 

Azulejos do claustro de Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco

 

Interior da mesma Igreja

  

 

Talvez por isso, de todas as vezes que contactei com pessoas na cidade, quase sempre candidatos a uma gorjeta pelo “serviço” de guia, acabei por ser confrontado com uma conversa nem sempre simpática sobre a colonização portuguesa e a escravatura. Conversa essa que, por sinal, não ouvi noutras paragens.
Confesso no entanto que não me deixo comover facilmente. Talvez por eu não ser grande pessoa, não me sinto culpado dos erros do passado e não esqueço que esse negócio de tráfico de escravos foi muito facilitado pelos régulos africanos que vendiam os seus irmãos de cor.  Obviamente que este último pormenor parece esquecido da mente de muitos baianos…
 
 Elevador Lacerda e Mercado Modelo


publicado por Fernando Vouga às 17:50
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5 comentários:
De Luís Alves de Fraga a 14 de Maio de 2007 às 21:34
Não conheço, mas pela sua «reportagem» fiquei com uma ideia e, acima de tudo, uma forte vontade de conhecer.
Excelentes fotografias que, imagino, foram feitas por si.


De Fernando Vouga a 15 de Maio de 2007 às 00:48
Caro Fraga

As fotos são minhas. Porém, muito do mérito vai para a câmara digital. Uma daquelas "matulonas" que permite o uso de várias objectivas.
Como não fumo, bebo pouco e não tenho telemóvel, o dinheiro vai dando para essas fantasias...


De tron a 14 de Maio de 2007 às 21:48
Beleza made in brasil


De Boby a 15 de Maio de 2007 às 15:34
Tenho comichão no rabo


De Alecrim a 16 de Maio de 2007 às 20:42
Pelo contrário, é por ser grande pessoa que não se sente culpado pelos erros do passado. A culpa é um atraso de vida.


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