CONTRA OS ABUSOS DO PODER VENHAM DONDE VIEREM
Domingo, 31 de Janeiro de 2010
Mudar o sistema...

 

 
 
Não tenhamos ilusões, porque ninguém vai acabar com a corrupção. É um mal que vem de longe e, enquanto houver seres humanos, vai haver quem corrompa e quem seja corrompido.
Porém, o cerne do problema não reside na corrupção em si, mas na dimensão que hoje atingiu. E é aí, nesse factor, que tudo se joga. Já não se trata de um polvo, mas de uma incomensurável pandemia. Maleita que não se combate com os unguentos de cosmética com que os nossos governantes nos pretendem iludir. É preciso atacar as origens, de uma vez por todas. É preciso mudar o sistema.
Não é necessário ser-se um génio da matemática para concluir que a dimensão dessa praga tem a ver com a quantidade de dinheiro sujo de que o crime organizado dispõe actualmente. Porque ninguém compra ninguém com transferências bancárias.
As imagens que aqui se mostram fazem parte de uma série de fotografias que documentam o recheio de uma mansão que pertenceu a um barão da droga. No compartimento que aqui se vê e no resto desta habitação de luxo asiático, à qual não faltava um jardim zoológico e uma extensa colecção de armas douradas, foram apreendidos, em caixotes e em esconderijos, várias toneladas de notas. Isto fora o dinheiro que, decerto, já teria entrado em circulação legal, convenientemente branqueado.
Se pensarmos que cada pequeno maço tem 100 notas, o que perfaz a soma de 10.000 dólares por cada um, podemos concluir que estamos perante dinheiro que dá de sobra para comprar muito boa gente, para alimentar o escândalo dos paraísos fiscais, para fazer com que os responsáveis pelo combate à droga façam vista grossa ao seu tráfico, enfim, para tanta coisa...
É óbvio que o sistema não muda, simplesmente porque não o querem mudar.


publicado por Fernando Vouga às 19:22
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3 comentários:
De Luís Alves de Fraga a 5 de Fevereiro de 2010 às 14:22
Caro Fernando Vouga,
Concordo em absoluto com o meu Amigo, mas só coloco uma questão: - Como é que se acaba com o problema chamado droga?
Se a fonte de quase todo o mal vem dela, como lhe pôr fim?
Julgo que uma das soluções feria a mentalidade e a moral de muito boa gente: tornar a droga legal, vendê-la nas farmácias tão livremente como se vende a aspirina. A figura do traficante e as redes comerciais em que se apoiam esgotavam-se. Mas estará a sociedade preparada para enfrentar esta solução?
É que não me lembro de nenhuma outra!
Mudar o sistema político para que tipo? Ditadura? É corruptível e não tem mecanismos de denúncia pública e popular; comunismo? Para além de ser uma outra forma de ditadura, também é corruptível. Então que fazer?
A despenalização total parece a única forma de acabar com o flagelo corrupção, com o flagelo traficante e com outros que lhe andam associados. Mas levanta-se o problema moral, cívico e social. Não se aumantaria o número de drogados?
Aqui lhe deixo perguntas, dúvidas e incertezas. Mais não posso nem sei fazer.
Um abraço


De Fernando Vouga a 5 de Fevereiro de 2010 às 17:25
Caro Alves de Fraga

Dou-lhe os parabéns porque era exactamente aí que eu queria chegar. Mas preferi que fosse um leitor a dizê-lo.
Dar às drogas proibidas o mesmo estatuto das drogas legais é um simples acto de justiça. Não se pode aceitar que um cocainómano tenha de roubar para pagar um produto de qualidade duvidosa e com o um preço que resulta da especulação, ao mesmo tempo que um alcoólatra pode obter a sua droga num simples supermecado a preços comerciais e com qualidade controlada.
Quando digo que temos de mudar o sistema, quero dizer que a nossa economia terá de deixar, de uma vez por todas, de se servir da economia paralela gerada pelos negócios fabulosos da droga. Os nossos governantes terão de se habituar à ideia de qua as formações partidárias terão de viver apenas com os dinheiros legais. E com total transparência!
Por enquanto, parece que não estarão lá muito interessados...

Um abraço


De Fernando Vouga a 5 de Fevereiro de 2010 às 17:40
Caro Alves de Fraga

Esqueci-me de responder às suas perguntas.
Quanto a mim, legalizar o comércio da droga, desde que feito com as devidas cautelas, não significa obrigatóriamente um aumento do consumo, embora possa ser um risco. O que há a fazer é o mesmo que se fez ao álcool e ao tabaco e que está a ter resultados animadores: lançar uma campanha de sensibilização e aumentar (com sensatez) as restrições ao seu uso. O que será grandemente facilitado pelo facto de toda a cadeia de produção e comercialização passar ser controlável.
É bom lembrar que a legalização é o único método que ainda não foi devidamente testado. As experiências da Holanda não estão a resultar porque está isolada e acabou por atrair drogados vindos do exterior. É óbvio que é necessária uma acção concertada e prudente.


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