CONTRA OS ABUSOS DO PODER VENHAM DONDE VIEREM
Sábado, 8 de Janeiro de 2011
Nem Cavaco nem Alegre

 

          Quem não fizer partes das suas formações apoiantes não precisa de escavar muito fundo para concluir que Cavaco Silva continuará a não estar à altura dos desafios que vamos ter de enfrentar nos tempos que se vão seguir. E esta triste e desprestigiante campanha eleitoral confirmam as perspectivas mais pessimistas. O Presidente recandidato, para lá de não apresentar nada de inovador e convincente, perante os ataques pessoais de que está a ser alvo, tem-se comportado como um Tartufo digno das mais sarcásticas peças de Moliere.

          Quanto a Manuel Alegre, apesar das fraquezas do seu principal opositor, enveredou pela estratégia errada (embora a mais fácil e habitual). Tendo telhados de vidro, optou por atirar pedras ao adversário. Ao optar pela agressividade e atacar Cavaco em vez de apresentar ideias, deu um inequívoco sinal de fraqueza e acabou por dar demasiada importância ao seu opositor.

          Mas não me parece que esta situação se revista de grande gravidade. Afinal, os poderes do Presidente da República são muito reduzidos e acabam por não resolver quase nada. A menos que apareça alguém suficientemente inteligente e corajoso para “dar a volta ao texto”, como se costuma dizer.

 



publicado por Fernando Vouga às 23:23
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13 comentários:
De António Trancoso a 9 de Janeiro de 2011 às 01:49
Meu Caríssimo Amigo
Tenho todo o gosto em conversar consigo sobre o tema que deu à estampa.
Quando menciona o facto dos poderes presidenciais serem muito reduzidos, como compatibiliza, essa realidade, com a hipótese do aparecimento de "alguém suficientemente inteligente e corajoso para dar a volta ao texto" !?!
Salvo melhor opinião, parece-me haver,aqui, uma incongruência insanável, a não ser que esse alguém consubstancie a capacidade revolucionária, não de dar a volta, mas de rasgar o texto constitucional.
De resto, essa possibilidade poderá não ser tão remota como se possa pensar!
Permita-me que esclareça este meu abstruso raciocínio:
As enormes dificuldades que gravosamente assolam uma grande parcela da população portuguesa,(causadas por um governo incompetente, ajudado "estrategicamente" por uma múmia presidencial) não auguram nada de bom em matéria de graves convulsões sociais.
Daí que, se, a esquisita criatura, prosseguir na presidência, ao invés de constituir um factor de moderação, constituir-se-á em rastilho irreversível .
No plano das ideias, creio que, o meu Caro Amigo, talvez pudesse repensar alguns detalhes:
Cavaco, cita, constantemente, as formalidades constitucionais, sem explanar um único compromisso acerca da sua "futura actividade" !
É pouco... muito pouco.
Alegre, pelo contrário, repetidamente, anuncia o seu empenhamento na defesa dos grandes pilares de um Estado Social Humanista, na defesa da prática dos Valores Democráticos, na defesa da dignidade do País nos fóruns internacionais, na defesa dos Valores Culturais,...
Em suma, um é um Tecno-burocrata; outro é um Democrata.
Para mim, a opção é fácil e está feita.
Dirá, meu Caro, que sou um optimista...
Um abraço.



De Fernando Vouga a 9 de Janeiro de 2011 às 11:48
Caríssimo amigo

Fica-lhe bem a coerência no seu apoio ao candidato em que acredita. E felicito-o por ter recorrido à artilharia pesada dos argumentos de fundo. Mas permito-me, também, discordar salutarmente consigo. Em situações normais o que diz é verdade. O Presidente tem os seus poderes muito limitados e, a bem dizer, qualquer "funcionário público" (sem desprimor para o funcionalismo) está em condições de ocupar o cargo.
O problema é que a situação presente éstá muitíssimo longe de ser normal. Necessitamos de um génio com rasgo, audácia, ímaginação, convicções firmes e inteligência.
Vou dar-lhe um exemplo. Franklim Delano Roosevelt, apesar de encabeçar um sistema presidencial, estava totalmente impedido de entrar na guerra de 39/45. Mas ainda antes da sua eclosão, ele acreditava firmemente na necessidade imperiosa de o fazer porque, nas circunstâncias de então, a inacção acarretaria prejuízos fatais para o futuro do seu país. E, com imaginação e persistência, conseguiu "dar a volta ao texto" e salvar-nos da barbárie nazi.
Pode crer que, se qualquer um dos muitos dos nossos candidatos à Presidência estivesse no lugar de Roosevelt nessa altura, esse passo vital não seria dado.
Com as desculpas esfarrapadas do costume.


De António Trancoso a 9 de Janeiro de 2011 às 16:25
Meu Caro Monteiro Vouga
Muito obrigado pela sua réplica.
Longe de mim desmerecer os méritos de Roosevelt, porém, interrogo-me (seguindo, e em conformidade com a sua explanação) da razão pela qual os Estados Unidos só se empenharam na Guerra após Pearl Harbour !?!
Não creio que aquele Presidente tenha acordado com o Japão tal ataque para fazer prevalecer a sua correcta visão estratégica.
Estou certo que o meu Amigo não deixará de me elucidar...
Um abraço.


De Fernando Vouga a 9 de Janeiro de 2011 às 16:58
Caríssimo amigo

Não deixa passar nada...
Sobre o caso Pearl Harbour há muita especulação. Pessoalmente, penso que o ataque japonês foi o detonador que desiquilibrou a América e se encaixou nos desejos do seu presidente. De qualquer forma, nessa altura, já a ajuda à Inglaterra era mais que descarada, a despeito das restrições constitucuionais. O que levou Hitler a declarar guerra aos EUA o que, por si só, iria dar ao mesmo.
Acredito que, mesmo sem o ataque japonês, Roosevelt teria agido da mesma forma, com outro pretexto qualquer. Era um homem de convicções firmes e por nada desistiria delas.

Obrigado pelos seus excelentes comentários.
Um abraço.


De Jacaré Tem Dente a 10 de Janeiro de 2011 às 18:45
...os seus conhecimentos são muito mais largos do que certos olhares limitados que desconhecem a carreira de Roodevelt e que apenas viram Pearl Harbour no cinema...como é o caso de certos correspondentes.
Aprecio a sua comparação, é de quem conhece a História e também a "história de certos homens", porém, é claro que "não bate a bota om a redingota" quando nos falam de Pearl Harbour que, como o diz e muito bem, foi demasiado especulada.
Visões curtas que só vêem cinema, desconhecem o resto.
Bravo, gostei desta sua replica bem esclarecida e com substancia histórica.
Um abraço.


De António Trancoso a 10 de Janeiro de 2011 às 23:13
Sr. Jacaré ...com muitos dentes !
Não posso retribuir-lhe a animosidade, patente no seu magnífico e conhecedor escrito, uma vez que, ao contrário da minha clara identificação, não consigo vislumbrar quem se encontra por detrás da erudita dentada.
Mas, tem razão ! Sou um ignorantão, que nem jeito tem, para, repetindo generalidades, dar graxa...a quem, de certeza absoluta, não a aprecia. Feitios...



De Fernando Vouga a 11 de Janeiro de 2011 às 20:57
Lamento ter de o dizer, mas os ataques pessoais não têm lugar neste espaço, que se limita exclusivamente ao debate de ideias.
É preciso qeu fique bem claro que temos todo o direito de discordar. Porém, já não teremos esse direito para catalogar ou de alguma forma agredir seja quem for.
Nesses termos, decidi eliminar um comentário e não publicar outro, recentemente enviado, por não se inserirem dentro do critério acima exposto.
Peço que me compreendam.



De António Trancoso a 11 de Janeiro de 2011 às 23:19
Caro Monteiro Vouga
Por mim, tudo bem, e, se não lhe causar incómodo, gostaria de retomar a nossa conversa, designadamente sobre a questão de Pearl Harbour.
Confesso que não fiquei elucidado com a menção, que faz, da existência de especulações à roda daquele facto.
E mais confesso, ainda, que (por total desconhecimento meu) nunca me apercebi dessas especulações.
Quererá o meu Bom Amigo, fazer uma abordagem, mais pormenorizada, de alguma(s) dessas condicionantes especulativas?
É que, "Burro não é quem não sabe; burro é quem não sabe e não pergunta".
Desde já, grato pela sua paciência, aceite o meu abraço.


De Fernando Vouga a 12 de Janeiro de 2011 às 11:41
Caro amigo

Obrigado pela sua compreensão. Digo-lhe que não é fácil apagar comentários, mas tive de faze-lo para evitar uma escalada.

Quanto ao assunto, estamos a fugir ao tema CS/MA. Mas é com gosto que lhe respondo.
No que respeita à polémica, parece-me simples: há quem defenda que foi esse o factor decisivo para a entrada dos EUA na guerra e há quem diga o contrário. Eu, como afirmei acima, pertenço ao primeiro grupo. O ataque desencadeou uma onda de revolta e sede de vingança, que Roosevelt soube explorar. Mas o Presidente estava decidido a participar no conflito com Pearl harbour ou sem ele. De qualquer forma, o facto em si parece-me pouco relevante. O importante foi a entrada dos EUA na guerra e o seu contributo para o desfecho final.


De Jacaré Tem Dente a 13 de Janeiro de 2011 às 17:30
Penso que não é de facto fácil ter que filtrar comentários e ter mesmo de os apagar, sobretudo quando o clima se degrada...mas quem levou "roda de engraxador', fui eu e como sabe, "acção=recção" é um velho princípio da Física... e aconteceu entretanto que Pica Miolos diz que sou engraxador e da parte de Deprofundis não houve o menor reactivo.
Bem sei e creia que compreendo, discordo só porque a sua decisão foi (quanto a mim) tomada em sentido único.
Mas, assim seja.
Um abraço e desejo a melhor continuidade.


De Fernando Vouga a 13 de Janeiro de 2011 às 19:10
Caro amigo

Na esperança de não reacender a "fogueira", respondo-lhe com todo o gosto.
Eu eliminei o último comentário de António Trancoso. É natural que não tenha reparado nisso porque o dito comentário, tendo desaparecido, deixou de se notar o corte.

Obrigado pela sua compreensão.


De Anónimo a 3 de Março de 2011 às 00:15
O Coelhinho está também a precisar dum spray destes...


De Fernando Vouga a 3 de Março de 2011 às 16:50
Caro anónimo

Concordo consigo.
Mas eu não estava a falar da Madeira. Porque, se estivesse, era cá uma lista...


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