CONTRA OS ABUSOS DO PODER VENHAM DONDE VIEREM
Terça-feira, 12 de Abril de 2016
Sonhar é fácil (1)

ministro azeredo lopes.jpg

 

O ministro da Defesa passa revista às Tropas

Imagem retirada do blogue "Quarta República"

 

A NOITE DOS GENERAIS

    Já noite, diante do televisor, ouvia as últimas notícias. Parecia um filme. A história iniciava-se com uma entrevista do subdirector do Colégio Militar (CM), na qual este revelava uma prática, desde há muito corrente, no que toca aos alunos homossexuais. Para defesa dos jovens nessas condições, chamavam-se os pais ou encarregados de educação e sugeria-se que o aluno em causa fosse retirado colégio.

    1.a Perplexidade – Como é que os responsáveis do CM se apercebem da orientação sexual dos alunos?

    Não sendo, seguramente, o resultado de uma declaração do próprio (ou da própria), é admissível que essa percepção seja decorrente do comportamento do aluno(a), à vista de colegas ou de membros do corpo docente. Se esses comportamentos (afectos ou assédio) são detectados, não podem ser permitidos (ou ignorados), ocorram eles entre alunos de sexo diferente ou do mesmo sexo. Assim sendo, a atitude do CM, tendo em atenção que aí funciona um INTERNATO, parece ser absolutamente sensata e de louvar.

    2.a Perplexidade – O Ministro da Defesa (MD) discorda desta visão do problema e manda recados ao general Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) pelos OCS.

    Do pensamento do MD sabemos, apenas, que estaria preocupado com a violação de preceitos constitucionais. Não invocou, por exemplo, que o CM tinha um critério diferente, na apreciação de manifestações de afecto/assédio, quando se tratava de situações passadas entre alunos de sexos diferentes. Se houvesse registo de casos destes, então, sim, poder-se-ia falar de um duplo critério, funcionando em desfavor dos homossexuais. No entanto, em caso nenhum, se justifica, logo no início da questão, tornar público o desacordo com o general CEME.

    3.a Perplexidade – O MD poderá ter exigido ao CEME medidas administrativas que poderiam violar outros direitos e deveres – do subdirector do CM e do próprio CEME – levando este a apresentar a sua demissão.

    4.a Perplexidade – O Presidente da República, que se saiba (e costuma saber-se tudo), achou normalíssima a situação e aceitou o pedido de demissão do general CEME. O Presidente da República – que é o Comandante Supremo das Forças Armadas e não perde uma oportunidade para discorrer sobre todos os assuntos, da UE à mochila do refugiado – ainda não achou que se justificasse qualquer referência ao caso CM-CEME.

    Chegados a este ponto, a Nação apercebe-se, com tranquilidade, de que estamos em presença de um caso de somenos importância. Nada que se compare a uma promessa de um par de tabefes, este sim, um caso de magna relevância e urgente resolução.

    Acho que foi neste ponto do filme que adormeci.

    Fui, então, sacudido pela entrada em cena do general CEMGFA. Inconformado com o decorrer dos acontecimentos, o CEMGFA desloca-se ao Restelo e manifesta a sua intenção de, do mesmo modo, bater com a porta. O MD pede calma, lembrando a necessidade de protecção da Instituição Militar. Está, de resto, em curso, o processo de selecção que conduzirá à indigitação do novo CEME.

    Convocados 4 tenentes-generais do Exército para falar com o MD, cada um deles, ao ser abordado, declara a sua indisponibilidade para assumir a função de CEME, por não admitir ter de pôr em execução as medidas que o anterior CEME julgara indignas da sua condição, a menos que o MD se demita prim...

    O estrondo de um trovão fez-me abrir os olhos. Sonhara.

David Martelo – 12Abr16

 

(1) Título de um antigo filme português com António Silva



publicado por Fernando Vouga às 10:39
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2 comentários:
De Jorge Figueira a 12 de Abril de 2016 às 17:07
Este País é um circo onde apenas temos prestidigitadores.


De Fernando Vouga a 12 de Abril de 2016 às 19:22
Lembra-se da Brigada do Reumático que foi dizer ao Caetano que as Forças Armadas estavam com ele?


Esse triste episódio teve o condão de mostrar que só há obediência às altas patentes quando não há azar.
E é por estas e por outras que a História se repete. Perante a demissão de um general, os que lhe estão mais perto na hierarquia, em vez de baterem com a porta ao ministro, esfregam as mãos de contentes perante a perspectiva de uma promoção.


E continuam naquele engano de alma ledo e cego que a fortuna não deixa durar muito.


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