CONTRA OS ABUSOS DO PODER VENHAM DONDE VIEREM
Terça-feira, 31 de Maio de 2016
Terceira idade

Velha.jpgImagem retirada da NET

 

      Viver na terceira idade tem as suas vantagens e os seus inconvenientes. Mas estes não são para aqui chamados, porque não vale a pena chorar sobre o leite derramado. O tempo não volta para trás. Quanto às vantagens, vou apenas referir a de não se ter de aturar chefes e patrões. O que não é pouco...

      Porém, mesmo esquecendo as desvantagens, nem tudo são rosas. Nos tempos que correm, vulgarizou-se uma linguagem, quiçá desenvolvida pelas pessoas bonzinhas que, numa espécie de caridade “low cost” (perdoem-me o barbarismo), fingem querer amenizar a velhice, tratando os anciãos por eufemismos rascas e malparidos, em vez de tentar resolver as verdadeiras dificuldades inerentes ao peso dos anos.

      Já agora, aproveito para referir que a dita caridade já chegou aos pretos, que passaram a ser negros (qual é a diferença?), aos pobres, que “viraram” desfavorecidos (será que os defesas no futebol passaram a ser desavançados?), aos paralítcos, que foram promovidos a paraplégicos, tetraplégicos e exaplégicos (no caso de terem cornos), aos cegos que, pelos vistos, melhoraram a visão passando a ser invisuais, às alternadeiras que já não são aquilo que se dizia, ao cocó que mantém o cheiro, e por aí fora.

      Vem ainda a talho de foice — as palavras são como as cerejas —, uma espécie de dialeto amplamente utilizadona TV, que se situa entre o intelectualês e o complicadez. Para exemplificar, segue uma pequena amostra em jeito de dicionário de bolso:

  • Alavancar                        — Promover, ajudar
  • Colocar uma questão      — Fazer uma pergunta
  • De compreensão lenta    — Burro
  • Em ordem a ­                    — Para
  • Elencar ­                           — Listar, organizar
  • Iliterado                            — Analfabeto
  • Inconseguimento             — Falhanço
  • Na medida em que          — Porque
  • Na minha óptica               — Na minha opinião (para quem não vender óculos)
  • Partilhar (na NET)            — Publicar
  • Transversal                       — Generalizado, comum
  • Etc.

Enfim, malhas que o “pugresso” (*) tece...

 

      Mas estou a fugir ao tema. O que me traz aqui é o termo “idoso”, o que quer dizer que “tem idade”. Algo que podemos, com toda a propriedade, chamar a um recém nascido com poucos segundos de vida.

      Posto isto, não se percebe bem a razão pela qual passaram a chamar aos velhos idosos. O que é que tem de mal a palavra “velho” quando aplicada a pessoas?

      Eu cá, quando alguém me chama idoso, fico com vontade de lhe dar uma resposta torta.

 

(*) Escrito em cavaquês



publicado por Fernando Vouga às 18:15
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1 comentário:
De Jorge Figueira a 31 de Maio de 2016 às 19:27
A culpa é do Mia Couto. Assim de repente lembro-me do desajoelhar e abesonhadas com que ele criou, com sucesso, o dialecto "miês ".
As intelectualidades serôdias de inconseguidas criaturas vieram bem depois, com menos sucesso.


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