
Não vem agora ao caso as suas origens, mas uma das características mais marcantes da cultura genuinamente portuguesa é o respeito pelos mortos. É do consenso geral que, do mais santo dos homens até ao mais execrável criminoso, todos, uma vez desaparecidos para sempre, têm direito a um momento de recolhimento e pesar. A morte funciona, por assim dizer, como um derradeiro momento de reconciliação.
Todos? Pelo menos na Assembleia Legislativa Regional da Madeira tal não se verificou hoje.
Foi esta manhã apresentado pelos deputados da oposição um voto de pesar por dois portugueses notáveis recentemente falecidos, o deputado europeu Miguel Portas e o distinto Juiz e Professor Doutor João Manuel Martins, este Madeirense. No primeiro caso, alguns deputados da maioria abandonaram a sala durante o debate e os restantes abstiveram-se. Quanto ao segundo, a maioria votou contra, tendo a proposta sido liminarmente rejeitada.
Tanto as abstenções como a rejeição foram obviamente por motivos políticos. Melhor dizendo, politiqueiros.
Hoje foi, talvez, o dia mais negro da história da ALR onde imperou o desespero, o pânico e, sobretudo, a mais abjecta mesquinhez.
De jorge figueira a 16 de Maio de 2012 às 19:42
Foi-se o "Povo Superior" ficaram iraquianos de segunda.
Caro Jorge
Esta espécie de reminiscência do culto dos mortos pode ser também uma manifestação conservadora que, como tal, é quase sempre muito querida das direitas.
Mas os deputados do jardinal mostraram-se agora surpreendentemente progressistas...
De jorge figueira a 16 de Maio de 2012 às 22:58
e medrosos por receio das decisões do Saddam. Brincar com os mortos é coisa que esta gente não ensaia nada em fazê-lo. Desta vez ficou mal na foto, mas a cena do monumento ao denominado "combatente madeirense", para engradecimento do chefe, por exemplo, saiu bem. Aí ridicularizou-se o que não se devia.
De António Trancoso a 17 de Maio de 2012 às 13:07
Caro Monteiro Vouga
Não tenho palavras para expressar o que sinto!
Caro António Trancoso
Entendo bem a sua atitude.
Penso que é impossível fazer pior. Quanto mais não seja pela rematada estupidez.
E no que toca à estupidez, não será de excluir a hipótese de a proposta da oposição ser também uma espécie armadilha, sabendo-se de antemão que a maioria iria tropeçar nela, dada a massa de que é feita .
E os jardinistas caíram na esparrela e ficaram mal na fotografia.
A única saída possível era aplaudir a iniciativa e assim sair por cima. Se o tivessem feito, a oposição sairia derrotada por ter falhado o objectivo.
O jardinal está em pânico e já não consegue discernir seja o que for.
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