
Imagem retirada da NET
Não sendo um dogma de fé, está arreigada no mundo católico a convicção de que os Papas são escolhidos por vontade expressa de Deus. Para tal, o colégio cardinalício que o elege, reunido em Conclave, sujeita-se a formalidades e rituais rigorosos, muito específicos e elaborados, de forma a que não restem dúvidas de que a escolha teve mesmo a mão divina. Processo que me parece um tanto exagerado já que, segundo a doutrina, nada se faz contra a vontade do Criador. Mas aceito que se justifique a excepção, dada a suprema importância da eleição da mais alta autoridade da Igreja Católica.
Neste contexto, convém recordar os últimos meses de vida do Papa João Paulo II. Independentemente das crenças, esse pungente episódio da história recente da Igreja de Roma causou na maioria das pessoas uma profunda emoção e respeito. Porque à luz da tradição, o comportamento desse grande Homem, o seu sacrifício, fazia todo o sentido: Deus, que o escolheu no Conclave, se lhe prolongava a vida, era porque necessitava ainda dos seus serviços. E esse Papa, com grande coragem, humildade e resignação, trabalhou abnegadamente enquanto lhe restou um sopro de vida.
Voltando aos nossos dias, à luz deste pressuposto, não se entende bem a recentemente anunciada resignação de Bento XVI uma vez que, uma tradição de seiscentos anos o obrigaria a permanecer até à morte, custe o que custar, à frente dos desígnios da cristandade.
De igual modo, ainda se entende menos que uma Igreja, que tanto aplaudiu o martírio de João Paulo II, aplauda agora a resignação de Bento XVI.
De qualquer forma — dogmatismos à parte —, o actual Pontífice teve a meu ver o mérito de reconhecer que os Papas não perdem a sua condição humana e que a idade faz estragos irreversíveis, mesmo naqueles que se dizem infalíveis (em certos casos) e a quem foi confiada uma missão divina e transcendente.
De jorge figueira a 13 de Fevereiro de 2013 às 18:42
Não há dúvida de que a Igreja defende uma verdade e sua contrária nesta questão do aproximar-se o vida do Papa. Ouvi ontem a jornalista Aura Miguel e Padre Feitor Pinto sobre o tema e não fiquei elucidado. Defeito meu, provavelmente.
Caro Jorge
Já não me recordo de pormenores, mas,lembro-me vagamente que esta Papa afirmou há tempos algo parecido com "O diabo e o inferno não existem". O que, da mesma forma que os médicos deixariam de ser necessários se acabarem com a doença, a Igreja Católica deixaria de ter razão de existir se deixasse de haver os perigosíssimos agentes incitadores do pecado. Mas nunca mais se falou do caso.
Agora Bento XVI quebra a tradição dos Papas até à morte.
A reacção do clero pareceu-me fruto do pânico. Há que dar a entender que tudo está bem e fingir que se embandeira em arco com uma decisão tão demolidora. Golpe de mestre!
A política não faria melhor...
De Anónimo a 18 de Fevereiro de 2013 às 10:06
Não foi sö Joseph Ratzinger que se demitiu ... jä outros assim o fizeram e até houve um que virou costas porque se quiz casar.
O problema da igreja é bem outro ... eles estão infiltradïssimos ... os escândalos ultrapassam todas as mäscaras possïveis e não esqueçamos que João Paulo I foi envenenado ao cabo de 33 dias porque mostrou vontade de limpar certas coisas ... João Paulo II não foi assim tão "limpinho" como se pensa ... !
A Mafia entrou no Banco do Vaticano, dinheiros ilïcitos circulam, O Osservatore Romano é dirigido por um homosexual, e mais ... muito mais e sem esquecermos que a maioria dos cardiais estão ligados à Maçonaria ... Ratzinger mandou-os "ir dar uma volta" ... !
Mas isto a igreja nunca o confessarä.
E até poderemos "ventilar" um certo nümero de freiras que jä foram violadas nos corredores do Vaticano ... mas é verdade: - Satanäs e o Inferno não existem.
Caro senhor
Penso que as demissões de que fala serão dos tempos anteriores aos 600 anos a que me refiro.
Quanto ao resto, concordo consigo na generalidade. Mutatis mutandis, a Igreja católica tem um passado tenebroso, um presente de moral duvidosa e um futuro muito incerto.
De Anónimo a 18 de Fevereiro de 2013 às 11:26
Aprecio a sua sinceridade, tem razão, as demissões de que falo são na verdade anteriores a 600 anos ... !
Confesso que nunca vo as coisas assim: - "Mutatis mutandis, a Igreja católica tem um passado tenebroso, um presente de moral duvidosa e um futuro muito incerto".
Caro senhor
Só mais uma achega
Não será de excluir a hipótese de alguém muito próximo do ainda Papa lhe ter segredado que, a continuar no pontificado, lhe poderia acontecer o mesmo que aconteceu a João Paulo I. Como se sabe, foi encontrado na cama com os pés para a frente. E não houve autópsia ou qualquer investigação forense...
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