CONTRA OS ABUSOS DO PODER VENHAM DONDE VIEREM
Segunda-feira, 22 de Julho de 2013
A visão de Cavaco
Imagem retirada da NET

     

      Parece que chegou ontem ao fim um dos episódios mais rocambolescos e desastrosos da nossa história política recente. Cavaco Silva, num discurso a roçar o patético, quiçá preocupado com seu desastroso índice de popularidade, explicou aos portugueses que a trapalhada que provocou nestes últimos dias foi uma vitória sua. Porque, qual S. Pedro na corte celestial, abriu as portas do paraíso ao promover o diálogo e entendimento entre governo e oposição. Já que, segundo  ele, o consenso entre partidos tem sido a receita de sucesso para os “países europeus de média dimensão”.

      Porém, passem as palavras do discurso, o que os portugueses viram foi o seu Presidente dar o dito pelo não dito, tudo voltar à estaca zero e os mercados ficarem ainda mais desconfiados sobre as nossas capacidades de fazer face à crise económica.

 

      Enfim, se até aqui o futuro de Portugal se afigurava negro, este triste acontecimento deixa-nos ainda mais angustiados, porque ficámos a saber que não podemos contar minimamente com o “Presidente de todos os portugueses”. Se por falta de actuação durante muitos anos ele esteve mal, verificou-se que, quando resolve actuar, é ainda pior.

      De qualquer forma, espremido o caso até à exaustão, ressaltam dois aspectos que reflectem o pensamento de Cavaco Silva. O que não deixa de ser uma boa notícia, dado que o que se passa na sua cabeça tem sido um mistério esfíngico.

      Em primeiro lugar, Cavaco reconhece, e muito bem, que o seu prestígio anda pelas ruas da amargura. De tal forma que, para resolver a crise, se propunha convocar uma figura de “reconhecido prestígio”. Ou seja, reconhece que, apesar de ser Presidente, não está à altura da situação.

      Em segundo lugar, ao pretender que o entendimento entre os partidos é bom — vá-se lá saber concretamente de que entendimento se trata —, parece-me que estamos perante uma visão algo enviesada da democracia, onde os que governam deverão ser permanentemente vigiados pelas oposições. Porque, o pior que nos pode acontecer, é a cartelização da política, o que é, no fundo, a proposta de Cavaco.

      Não tenhamos ilusões. Com os partidos todos do mesmo lado, há que fugir, porque vamos ser comidos vivos.

 



publicado por Fernando Vouga às 22:45
link do post | comentar | favorito

2 comentários:
De Anónimo a 23 de Julho de 2013 às 11:18
Aqui estamos, 40 anos e muitos milhoes depois, a pagar, os avales dados atraves dos cruzinhas eleitorais, a politicos inimputaveis.


De Fernando Vouga a 23 de Julho de 2013 às 19:06
Pois é, meu caro amigo. A lei eleitoral foi feita por eles e em proveito eles. 
Como já lhe disse pessoalmente, ao colocarmos a cruzinha (quando o fazemos), nós só escolhemos em que nádega vamos levar o pontapé.
Mesmo assim, as maiorias vão quase sempre para o meu "partido", que é o da abstenção, votos nulos e brancos.


Um abraço e rápidas melhoras


Comentar post

gse_multipart60608.jpg Tomates.jpg Santana Lamego
pesquisar
 
Dezembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


Notas recentes

Para quem gosta de ler

O PUM militar

Para quem gosta de ler

A greve dos camionistas

Para quem gosta de ler

Carlos Matos Gomes

Presépio dos dias de hoje

O Rei vai Nu

Um país de pacóvios

Para quem gosta de ler

Favoritos

O dedo na ferida

Deixem os amigos em paz

Para onde vais, América?

Arquivos
Tags

todas as tags

Blogs amigos
Mais sobre mim
GALERIA FOTOGRÁFICA
Xangai
Nepal
Brasil
Praga
Visitas
free web counter
blogs SAPO
subscrever feeds