CONTRA OS ABUSOS DO PODER
VENHAM DONDE VIEREM
Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
Chamem a ASAE!

Hoje, pelas 18 horas e 10 minutos, no programa "Portugal em directo" do canal 1 da RTP, um inventor explicou que o seu invento, um detector de incêndios, se destinava a evitar falsos enganos. Nem mais nem menos.
Mais uma preocupação para os portugueses, já que se ficou a saber que, afinal, até os enganos podem ser falsificados.
Chamem a ASAE. Já!
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Tiro ao ministro

Começou a "saison" da caça ao ministro. Desta feita, coube a vez ao ministro da Saúde. Tido como competente e sabedor, revelou uma tremenda falta de sensibilidade e sensatez. Porque uma coisa é firmeza e outra é teimosia. Para não dizer obstinação.
Correm boatos de que também saiu do Governo a ministra da Cultura. Acho muito estranho porque, que me conste, não havia tal ministério. Pelo menos, nunca ouvi falar dele.
Madeirices
Parece-me discutível, para efeitos da aplicação da recente lei do tabaco, considerar público um espaço alugado pela supracitada ASSICOM num hotel para uma reunião privada onde todos, utentes e funcionários, estariam de acordo em que fosse permitido fumar. Mas não é isso o que me proponho tratar. O que está aqui em causa é a tentativa de, perante a comunicação social, pessoas altamente responsáveis na governação da RAM, com uma ostentação e arrogância inadmissíveis, mostrarem que, quando não lhes convém, se sentem com todo o direito a desobedecer à Lei.
Não é com exemplos destes — e não são poucos — que o cidadão comum se vai convencer a, de uma vez por todas, cumprir as leis deste país. Este comportamento, demasiado comum nas figuras importantes (estou também a lembrar-me de um ministro que circulava a mais de duzentos quilómetros à hora), transmite uma mensagem clara: a de que as leis restritivas só se fizeram para os fracos e desfavorecidos.
Por outras palavras, sendo para os governantes e outras pessoas importantes uma questão de prestígio não cumprir a Lei, para o cidadão comum, cumpri-la, não passará de uma humilhação.
Nota:
Nem de propósito, no DN-Madeira de hoje, nas cartas dos leitores, uma senhora queixava-se de, numa discoteca do Funchal, a lei do tabaco estar a ser ostensivamente desrespeitada, perante a passividade dos empregados. É de dizer: com exemplos destes...
Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008
Madeirices

Conta-se que, várias décadas atrás, um abastado proprietário do Funchal, que para lá de outras explorações agrícolas criava gado bovino, resolveu um belo dia assistir à cobrição de uma vaca. Porém, achou muito estranho que um dos trabalhadores esfregasse com toda a força os genitais do toiro com um ramo de tojo (*). O pobre animal parecia não gostar da brincadeira porque dava urros medonhos sempre que os espinhos lhe rasgavam a pele.
— Pára com isso — ordenou ao trabalhador. — Não vês que estás a magoar o toiro?
— Isto é uma espécie de motor de arranque. É que de outra forma o bicho não consegue…
Com efeito, não foi preciso esperar muito para que, com a ajuda daquele estranho afrodisíaco, o toiro acabasse por se entusiasmar o suficiente para o efeito desejado.
— Então patrão viu como deu resultado?
O proprietário ficou pasmado, sem saber o que pensar. Passados uns momentos de hesitação ordenou a todos os presentes:
— Está bem, continuem lá a fazer isso. Mas não digam nada à minha mulher!
(*) Aqui na Madeira o tojo chama-se carqueija.
Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
Mais um moralista

Na segunda-feira, na sua habitual intervenção televisiva, o antigo ministro e deputado europeu António Vitorino, referindo-se ao discurso de Ano Novo do Presidente da República, afirmou que não é por causa de umas trezentas pessoas receberem ordenados chorudos que a nossa economia está a ser afectada.
Ao fazer coro com os seus colegas moralistas da “Quadratura do Círculo”, mostrou que, também ele, não quererá desagradar a uns quantos poderosos. A menos que já esteja instalado à gamela ou à espera disso.
Mas, o que mais se estranha, é ver um homem inteligente a usar uma argumentação que, diga-se em abono da verdade, não lembra ao diabo. Encurtando razões, com este tipo de raciocínio, podemos concluir que se pode fazer todo o tipo de pulhices se, em termos percentuais, o valor não for muito significativo. A questão moral não se põe.
E é por estas e por outras que o país continua ingovernável. Porque a credibilidade dos políticos é a mesma dos vendedores de banha de cobra e já ninguém acredita em ninguém.
Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008
Quadratura do Círculo

Há muito tempo, mesmo muito tempo, que não ouvia da boca de um Governante algo que me agradasse tanto. Estou a falar do Presidente da República, Professor Aníbal Cavaco Silva que, na sua mensagem de Ano Novo, fez uma referência algo crítica aos rendimentos escandalosos de certas estrelas de primeira grandeza do nosso firmamento empresarial.
Nada mais justo e oportuno numa época em que as desigualdades crescem despudoradamente. Enquanto que os ricos passam pela crise e assobiam para o lado, os pobres desesperam com a diminuição dos seus rendimentos, ao mesmo tempo que assistem impotentes à subida dos preços de tudo e mais alguma coisa, com especial incidência para os bens essenciais. E como se tal não fosse suficiente, habitação, emprego, saúde, justiça, educação e segurança, passaram à categoria de ficção delirante para o cidadão comum.
Porém, não deixa de ser curiosa a opinião dos moralistas de serviço da “Quadratura do Círculo”. Para estes senhores bem instalados na vida, Cavaco Silva foi demagógico porque, segundo eles, a crise económica não se deve aos generosos proventos dos tais gestores de empresas. Segundo eles, em termos percentuais, a despesas com essas pessoas acaba por ser pouco significativa em relação ao cômputo geral.
Talvez seja. Mas esquecem-se que há aqui uma injustiça gritante: é monstruoso que se peçam sacrifícios de toda a ordem aos menos favorecidos, enquanto que uns tantos, quase sempre os mesmos, acumulam fortunas de nababo.
Mas é bom que todos se lembrem, governantes e governados, de que não se pode manter a paz social numa Nação com os olhos postos apenas nas estatísticas e em meros critérios economicistas. É preciso ter em conta a moralidade do sistema. Caso contrário, a revolta do povo será uma questão de tempo. E foi disso, dos valores morais a ter em conta, de que falou Cavaco Silva. Porque eles são a pedra angular de qualquer governação. A crise tem de ser suportada por todos, sem excepção. Como diz o ditado, “ou há moralidade ou comem todos”.