CONTRA OS ABUSOS DO PODER
VENHAM DONDE VIEREM
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
Dilemas tortuosos - 3ª parte

O livro de que falei nas notas anteriores é o da figura acima. Uma vez que o tema religioso está totalmente fora do âmbito deste blogue, não vou tecer quaisquer comentários a seu respeito. O que me interessa aqui é abordar o mundo das nossas convicções e até que ponto teremos bases sólidas em questões de princípio.
Com efeito, colocam-se aqui dois terríveis dilemas, que qualifiquei de tortuosos, porque o são na realidade. E, como esperava, as respostas que me deram encaixam perfeitamente nas conclusões dos inquéritos que Richard Dawkins, o autor do livro, realizou. Muito resumidamente, as pessoas que a eles responderam mostraram muita dificuldade no caso do agulheiro e tiveram muito poucas dúvidas no do cirurgião.
Mas, afinal, os dois casos serão assim tão diferentes? Propositadamente, nas minhas duas notas anteriores, “esqueci-me” da vítima (chamemos assim ao escolhido para ser sacrificado). Mas não será ela, a vítima, a única pessoa com legitimidade para decidir? O facto de o agulheiro não ter tempo para a consultar e o cirurgião dispor desse tempo altera alguma coisa? Penso que não. Na sua essência, os dois casos são, a meu ver, iguais. Duvido mesmo que, no caso de ser a mesma pessoa escolhida para vítima nas duas situações, ela desse respostas diferentes, se fosse consultada.
Leva-me portanto, esta pequena espécie de investigação, a concluir que muitas vezes poderemos, em matéria de princípios, fazer julgamentos diferentes com base em meros aspectos secundários. O que me leva a outra conclusão: a de que todos somos falíveis e que o melhor é não sermos demasiados severos a julgar os outros.
Estão de acordo?
Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
Dilemas tortuosos - 2ª parte

Rembrandt - Aula de Anatomia
Eis aqui a nova situação, directamente transcrita da obra de que falei na nota anterior.
“Há cinco doentes a morrerem num hospital, cada um por falha de um órgão diferente. Cada um seria salvo se fosse encontrado um dador para cada órgão doente específico, mas não existem dadores disponíveis. É então que o cirurgião repara que está na sala de espera um homem saudável cujos cinco órgãos em questão se encontram em boas condições de funcionamento e são adequados para transplante.”
O que pensam os meus queridos leitores? Será que, para salvar cinco vidas, o cirurgião tem legitimidade para tirar a vida ao “dador”?
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
Dilemas tortuosos - 1ª parte

Acabei de ler um livro, cujo título e autor não vou revelar por enquanto. Em dada altura, enquanto o lia, senti-me perplexo com uns tantos dilemas de ordem moral. Enfim, questões ardilosas de resposta difícil…
Nesta nota, e na seguinte, quero colocar o leitor perante duas situações hipotéticas (altamente improváveis) e pedir-lhe a sua opinião. O que antecipadamente agradeço.
Penso que não se vão arrepender de colaborarem comigo nesta espécie de investigação.
E aí vai a primeira situação:
Imagine-se o leitor que é agulheiro numa estação da CP e vê um comboio a dirigir-se para um grupo de cinco trabalhadores da linha-férrea. Estes, não se apercebendo do perigo com o barulho das suas ferramentas, serão inexoravelmente mortos. Há, no entanto, uma possibilidade de os salvar. Basta ao agulheiro accionar a sua agulha e desviar a máquina para outra linha. Porém, se o fizer, haverá um outro trabalhador que será colhido e morto.
O que pensam os meus queridos leitores? Será que, para salvar cinco vidas, o agulheiro tem legitimidade para deixar morrer o trabalhador da outra linha?
Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
Temos Presidente?

José Miguel Júdice, num dos seus costumados ataques ao novo Bastonário da Ordem dos Advogados, afirmou que seu o tom bombástico se destina a preparar o caminho para a Presidência da República.
Por sinal, ao ouvir há dias a entrevista que Marinho Pinto deu a Maria Elisa, perguntei aos meus botões: «O que é que faz correr este homem"?». E concluí o meu raciocínio com outra pergunta: «Será que tenciona candidatar-se a Presidente da República?»
Como pretender ser PR não é crime, até acho uma excelente ideia. Será a pedrada no charco que há muito está a fazer falta neste país de cinzentismo político.
Se as eleições fossem hoje, votava nele.