CONTRA OS ABUSOS DO PODER
VENHAM DONDE VIEREM
Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
História de Portugal

Acabei de ler “A Vida Dramática dos reis de Portugal” de José Brandão.
Trata-se de uma obra importante que nos revela, sem complexos mas com verdade, o que de meritório e de condenável se pode dizer dos trinta e dois monarcas que nasceram portugueses.
Sob o aspecto meramente formal, este livro faz-nos lembrar os antigos compêndios de História de Portugal dos tempos do salazarismo. Cada capítulo resume a vida de um Rei e estes são apresentados por ordem cronológica. Porém, ao contrário desses compêndios, a dinastia Filipina não está incluída, porque nasceram espanhóis.
Um livro, que à primeira vista se poderá temer que seja derrotista, surpreende-nos pela positiva. José Brandão não louva nem condena. Limita-se a relatar o que se passou. E deixa para o leitor o papel de fazer o seu veredicto.
Da leitura que fiz deste livro tirei uma conclusão. Os nossos Reis eram simplesmente humanos, como não poderia deixar de ser. As facetas que à luz dos critérios actuais poderemos considerar menos aceitáveis, devem-se sobretudo à imunidade — e consequente impunidade — de que gozaram.
Poder-se-á dizer que foram vítimas do seu próprio poder. Poder esse que tem fatalmente o condão de despertar nas pessoas o que elas têm de pior.
Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008
Os uns e os outros

Há dias, ocorreu ma minha pacata rua da zona Oeste do Funchal, uma cena de tiros. Ouvi os disparos e fui à janela ver o que se passava. Para meu espanto, vi a meio da rua, com toda a calma, um homem armado de caçadeira. Mais abaixo no passeio, vi outro, que me pareceu armado de pistola. Entretanto, chegou um carro cinzento metalizado com o lado direito todo amolgado. Os dois homens, sem pressas, meteram-se nele. A viatura arrancou lentamente, até desaparecer da minha vista.
Dias depois, fiquei a saber pelo Diário de Notícias da Madeira, que a cena de tiroteio se deveu a uma perseguição policial e que os homens armados que tive a oportunidade de ver, eram polícias.
Fiquei perplexo porque, como não estavam uniformizados, os tomei por meliantes.
Não pude deixar de concluir que este procedimento, podendo ter muitas vantagens para os agentes da Autoridade, pode lançar o cidadão comum numa confusão eventualmente fatal, porque deixa de saber quem são os “uns e os outros”.
É altura de nos lembrarmos que, quanto mais os polícias se parecerem com criminosos, mais os criminosos se parecem com polícias.