O sexo não é um luxo, é uma necessidade o que, diga-se em abono da verdade, não tem nada de malicioso. E, excluindo aqueles que, pela idade ou por deficiências físicas ou psíquicas, estão impedidos de ter vida sexual, só há dois tipos de pessoas: as que de qualquer forma satisfazem as suas necessidades sexuais e os mentirosos.
Porém, por razões que de momento saem fora do âmbito desta nota, a Igreja Católica fez cair sobre a sexualidade humana uma espécie de anátema onde todo o sexo praticado fora do casamento é um pecado mortal que ofende gravemente a Deus. Mais ainda, mesmo no sexo “legal”, digamos assim, todo o “entusiasmo” é uma grave desordem pecaminosa. O exemplo máximo é dado pela mãe de Jesus com a sua “imaculada Conceição”. O que quer dizer que as demais concepções, por menos gozadas que sejam, acabam por ser inexoravelmente maculadas…
Não será portanto de estranhar que aos sacerdotes católicos tenha sido imposta a regra da castidade absoluta. Eles têm de dar o exemplo. Eles, por força dos sacramentos que receberam, por força das suas orações e penitências, são superiores às fraquezas dos leigos que, coitados, não resistem à baixeza das tentações da carne.
Mas uma coisa é a teoria, outra é a realidade. Após séculos de silêncios — nem sempre conseguidos —, a Igreja vê-se agora confrontada com uma sociedade mais informada onde tudo se sabe. E o escândalo começa a surgir, e da pior forma.
Nesta conformidade, não deixa de ser curioso que venham agora os mais altos dignitários da Igreja desvendar um segredo de polichinelo: afinal os sacerdotes católicos são homens como os outros. Por mim, tudo bem, desde que, como qualquer cidadão, assumam as suas responsabilidades.
O que é intolerável é o facto de uma organização que se diz reger por princípios morais, no seu dizer impostos por Deus, tenha ocultado comportamentos que ela própria considera gravemente reprováveis, incluindo crimes hediondos, como são os abusos sexuais de menores.
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