(Imagem retirada da NET)
Finalmente os madeirenses podem orgulhar-se de terem um candidato à Presidência da República.
José Manuel Coelho é um homem que tem a coragem de se apresentar como candidato contra o regime. Regime este que, como sabemos, está mais que esgotado.
Temos a consciência de que vai enfrentar um combate desigual e que vai sofrer toda a sorte de trapaças para ser silenciado. Mas confiamos na sua combatividade. Estamos certos de que, contra tudo e contra todos, vai dizer o que tem a dizer e vai denunciar os podres do sistema vigente.
É altura de congregar esforços e de dizer: "Madeirenses de todo o mundo, uni-vos"
Eis a notícia por que todos ansiávamos.
E o caso não é para menos:
um Povo Superior obediente merece um Cão Superior obediente!
Acabei agora mesmo de inventar um antiquíssimo provérbio chinês que diz que “a humanidade não consegue sobreviver sem sexo e sem segredo”. Porém, sendo o sexo quase sempre praticado num segredo recatado e pacífico, poderemos classificá-lo como um “bem necessário”, enquanto que o segredo propriamente dito, pelo que tem de insidioso, cai na reles categoria de um “mal necessário”, tal como se diz da guerra.
Não me parecendo necessário defender a necessidade do sexo, afigura-se-me conveniente tecer algumas considerações sobre a necessidade do segredo. Mas não é preciso escavar muito fundo. Desde que o mundo é mundo que não faltam interesses antagónicos. Há sempre quem não se encolha perante a necessidade de passar a perna ao semelhante e daí não estar muito virado para dar publicidade às suas intenções. Por isso, todos acabam por guardar segredos e pelas mais variadas razões. Se o assaltante não anuncia o golpe, o potencial assaltado não revela a combinação do cofre. Mais ainda, na mãe natureza, muitos dos seres vivos usam e abusam de disfarces — o seu expediente para guardar em segredo a sua presença — para deitar a mão, digamos assim, à vítima incauta que lhe passe por perto, ou para não ser visto pelo predador que se aproxima.
Mas o segredo, tal como acima referi, é quase sempre insidioso. Legítimo ou ilegítimo, corre o risco de ser utilizado sem controlo e servir de arma poderosa para o crime, injustiças e toda a sorte de trapaças. E, como se tal não fosse bastante, os próprios dirigentes ao mais alto nível, por mais moralistas que sejam, não fogem à regra. Por dá cá aquela palha, convencidos de que podem viver na impunidade, botam da boca para fora as broncas mais variadas, preparam golpes baixos, falam mal dos congéneres, trocam as voltas aos adversários.
Todavia, o segredo, tal como o sexo, tem os seus perigos. Mais cedo ou mais tarde, tudo acaba por se saber. Ou porque vem à luz uma criancinha ou porque alguém metido no circuito dá com a língua nos dentes.
Vem tudo isto a propósito do já famoso Julian Assange e do seu não menos famoso “Wilkileaks”. Muitos dos segredos revelados são razoavelmente credíveis e estão a cair sobre a comunidade governante como um bombas em noites de “blitz” londrino. Parece que ninguém vai escapar.
Convenhamos que a revelação de segredos de Estado, por mais imorais que sejam, é um acto de pura irresponsabilidade e imprudência. Pode causar danos inimagináveis porque, ao que parece, não tem havido qualquer cuidado na selecção das notícias. Quanto mais não seja, porque muitas pessoas inocentes podem sofrer consequências desastrosas. Turistas, funcionários de embaixadas, homens de negócios podem a partir de agora ser alvo de violência quando se deslocarem para países que se sintam ofendidos e onde o sentido de humor não abunde.
De qualquer forma, algo de aproveitável se pode retirar deste acontecimento. De hoje em diante os líderes mundiais terão que ter mais cuidado com o que dizem e com o que fazem. E até poderá acontecer que optem por uma maior transparência e as relações internacionais se façam de uma forma mais saudável. Mais ainda, a sensação de impunidade que muitas vezes está na origem de muitos ilícitos cometidos por governantes, é capaz de ir por água abaixo. Porque se a justiça não for capaz de os condenar, a opinião pública não lhes perdoará de certeza.
Por razões que agora não vêm ao caso, existe na nossa cultura um grande respeito pelos mortos, para não dizer um medo exagerado e ancestral. Ninguém sabe ao certo o que nos irá acontecer depois da morte e há mesmo quem avance com teorias catastrofistas em que castigos, tão inimagináveis como cruéis, visam os que em vida não respeitaram os figurinos recomendados.
Exceptuando aqueles que têm no paraíso umas dúzias de virgens (quiçá de perna aberta) ansiando pela sua chegada, todos nós tememos o desenlace final. E se tal não bastasse, a ansiedade do desconhecido e o nosso inato instinto de conservação fazem o resto para nos infernizarem a vida.
Dentro desse contexto, bem lá no fundo, todos nós acabamos por sentir uma grande relutância em criticar aqueles que já nos deixaram, como se eles, tendo perdido a vida, passassem a ter à sua mão uma extensa panóplia de perniciosos poderes sobrenaturais.
E os políticos não fogem à regra. Falecidos que sejam, à beira da cova são alvo dos maiores louvores, mesmo vindos daqueles que passaram a vida a torpedeá-los e a cortar-lhes na casaca. Choram abundantes torrentes de lágrimas, lamentam pungentemente o seu desaparecimento, como se o país, pela sua falta, perdesse a razão de existir.
Mais ainda, governante que nos deixe demasiado cedo ou seja, antes de nos presentear com a sua inevitável incompetência, é tratado como salvador da Pátria. Se ele não tivesse morrido tão cedo, tudo seria bem diferente e para melhor. E o nosso bom povo continua ainda a prantear-se pelo prematuro desaparecimento de D. Sebastião, D. Pedro V, Sidónio Pais, só para referir o passado menos recente...
Parece assim vir a propósito recordar o general George Armstrong Custer, que morreu em combate em 1876 na famosa batalha de Little Bighorn. Para lá dos seus feitos heróicos, ficou também famoso pela sua insólita frase “os únicos índios bons são os índios mortos”. Dentro desta lógica, será altura de nos interrogarmos: se fosse ainda vivo, o que é que diria dos nossos governantes?
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