Imagem recebida por correio electrónico
Muito se tem falado nos recém descoberto buraco nas finanças da Madeira. Caso assaz curioso que cai na área do ilusionismo. Por artes de berliques e berloques, parte do dito esteve escamoteado por vários anos, sem que ninguém desse conta.
Agora que foi defenitivamente destapado, somos todos os dias bombardeados pelas mais diversas teorias, umas ao ataque, outras à defesa. E não há canal da televisão ou jornal que se preze, que não se canse a comentar o caso. Enfim, uma bronca dos diabos.
Dentre as várias teorias, a minha atenção foi naturalmente parar ao partido dos governos (central e regional) que, jogando à defesa, tenta minimizar os estragos.
Feitas as contas bem feitas, essa defesa assenta basicamente em dois argumentos. Por um lado, comparando com dívidas de outras origens todas somadas, a da Madeira não será grande coisa. Por assim dizer, não passará de um "pelo púbico", para usar uma forma moderada do léxico de Catroga... Por outro lado, há buracos e mais buracos por esse país fora, pelo que o de cá é só mais um.
Vamos por partes.
Quanto ao primeiro argumento, não serve de justificação. Por essa ordem de ideias, todos nós poderíamos meter a mão no bolso dos contribuintes, desde que se trate de coisa pouca em termos percentuais.
Já o segundo argumento tem mais que se lhe diga. Mesmo em Portugal, com uma justiça demasiado complexa e ineficaz, as asneiras de uns ainda não fazem jurisprudência. Isto é, ninguém ganha o direito de fazer o mesmo. Mas há mais. Os buracos "nacionais", digamos assim, foram escavados por um tal José Sócrates, de má memória. Ora esse senhor foi politicamente castigado pelos eleitores.
Compete assim ao eleitorado madeirense, e só a ele, dar o devido correctivo político a quem nos levou à triste situação que estamos a viver. Caso contrário não nos poderemos queixar mais.
Imagem retirada da Wilkipedia
Por detrás de uma grande fortuna há um crime
Honoré de Balzac
Acabou de ser aprovada na Assembleia da República legislação para criminalizar o enriquecimento ilícito
Fiquei perplexo. Mas será que há enriquecimento lícito?
Imagem retirada da Wikipedia
Não costumo perder muito tempo a ver entrevistas de governantes. Normalmente, desisto a meio e mudo de canal. Estou farto de assistir a exibições degradantes de verdadeiros vendedores de banha-de-cobra, quase sempre petulantes, triunfalistas e arrogantes. Mas ontem fiquei colado à televisão. O que vi foi um homem realista, seguro, calmo, corajoso e com sentido de Estado.
Não sei se as suas políticas vão no melhor caminho, mas penso que ninguém o saberá ao certo, embora não falte quem se farte de mandar palpites.
E fiquei com a sensação de que algo mudou para melhor na forma de fazer política em Portugal.
Imagens retiradas da NET
A maioria dos analistas políticos considera que o que derrubou Richard Nixon não foi propriamente o caso Waretgate. Foi o facto de se ter deixado apanhar. Os americanos ficaram envergonhados por o seu Presidente ter sido apanhado a mentir, e não lhe perdoaram.
Salvas as devidas proporções, devidamente acauteladas nas imagens, no caso madeirense da Crateragate a situação não é muito diferente. Alberto João Jardim foi apanhado a mentir e cometeu um erro irreparável e incompreensivel num político mais do que veterano: confessou-o em público, repetidamente, alto e em bom som, e não há lapsus linguae que o salvem. Agora anda a dizer que não disse o que disse, mas o mal já está feito e não tem remédio.
Imagem retirada da NET
Vossa Excelência anda por aí, já com cara de Primeiro Ministro, a reclamar que Passos Coelho deverá retirar a confiança política ao Dr. Alberto João Jardim por causa da ocultação da dívida da Madeira.
Porém, os Presidentes dos Governos Regionais da Madeira e dos Açores não são nomeados pelo Primeiro Ministro, são eleitos pelos respectivos eleitorados. É o que diz a Constituição.
Nessa conformidade, não há lugar para confiança política que não seja a dos madeirenses e dos açoreanos.
A pergunta que lhe faço é esta: Vossa Excelência não sabe mesmo, ou acha que somos parvos?
Imagem retirada do DN-Madeira de 17de Setembro de 2011
Revelar a contabilidade e colaborar com uma auditoria não é mais do que a obrigação de qualquer governo minimamente honesto. Porque, caso contrário, entra-se no domínio da vigarice.
Nesses termos, o senhor deputado tem orgulho de quê?
Não me diga que o normal é vigarizar...
Imagem retirada do portal do SAPO
NOTÍCIAS NO PORTAL DO SAPO
Quarta-feira, 14.09.11
por Luis Moreira às 23:07
As finanças na Madeira são, como há muito se previa, uma autêntica Caixa de Pandora. Aberta, aparecem dívidas por tudo quanto é lado com o Alberto João a dizer que tem muita honra na situação calamitosa a que levou a Região Autónoma.
Está habituado a que lhe paguem as contas, esperemos que desta vez seja diferente e o responsabilizem, obrigando-o a participar no esforço de contenção nacional.
O resgate pode chegar a cinco mil milhões mais que a tranche que o estado recebeu ontem - 3,49 mil milhões!
'Financial Times' considera a Madeira a "ilha desonesta", enquanto o 'La Vanguardia' diz que Jardim é um "rebelde dentro do seu partido".
O buraco de 1.113 milhões de euros da Madeira, que foi hoje revelado pelo Banco de Portugal e pelo INE, não escapou à generalidade da imprensa internacional, que refere que vai colocar ainda mais pressão sobre Portugal no cumprimento das medidas acordadas com a 'troika' no âmbito do resgate internacional.
O Financial Times é um deles. No blogue de um dos seus colaboradores, o maior jornal britânico refere-se à Madeira como a "ilha desonesta". "A Madeira, um pitoresco arquipélago de 267,000 pessoas, esbarrou com Portugal continental esta sexta-feira, espalhando-se em cacos de um novo passivo", escreve o jornalista Joseph Cotterill no FT AlphaVille.
Também o Wall Street Journal colocou na sua homepage a notícia com o título: "Portugal encontra buraco de 1,5 mil milhões de dólares". O jornal económico norte-americano adianta que o "Banco de Portugal revelou esta sexta-feira que a ilha da Madeira, uma pequena região autónoma, omitiu 1,1 mil milhões de euros (1,53 mil milhões de dólares) de endividamento nos últimos ano, situação que vai colocar mais pressão sobre o país no cumprimento dos objectivos orçamentais perante o seu resgaste internacional massivo".
No país vizinho, é o La Vanguardia a dar conta do novo buraco madeirense, que "vai obrigar Portugal a rever o seu défice", referindo-se a Jardim como um político "com uma reputação de rebelde dentro do seu partido e historicamente polémico nas suas declarações".
Já no Brasil, o Globo titula que a "llha da Madeira omite dívida bilionária e eleva pressão sobre Portugal".
Sem comentários da parte do autor deste BLOG
Sempre ouvi dizer que as Forças Armadas eram o espelho da Nação. Porém, independentemente de tal ser ou não verdade, parece que, de uma vez por todas, as coisas mudaram. E de que maneira.
O texto que a seguir transcrevo, de autora identificada, é esclarecedor. Não sendo meu hábito fazer transcrições — prefiro apresentar os escritos da minha autoria e responsabilidade —, achei por bem abrir aqui uma excepção.
Imagem retirada da NET
Cavaleiros da Ordem do Infante Dom Henrique
Exmo. Sr. Presidente da República, Dr. Aníbal Cavaco Silva,
O meu nome é Catarina Patrício, sou licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, fiz Mestrado em Antropologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sou doutoranda em Ciências da Comunicação também pela FCSH-UNL, projecto de investigação "Dissuasão Visual: Arte, Cinema, Cronopolítica e Guerra em Directo" distinguido com uma bolsa de doutoramento individual da Fundação para a Ciência e Tecnologia.
A convite do meu orientador, lecciono uma cadeira numa Universidade. Tenho 30 anos.
Não sinto qualquer orgulho na selecção de futebol nacional. Não fiquei tão pouco impressionada... O futebol é o actual opium do povo que a política subrepticiamente procura sempre exponenciar. A atribuição da condecoração de Cavaleiro da Ordem do Infante Dom Henrique a jogadores de futebol nada tem que ver com "a visão de mundo" (weltanschauung) que Aquele português tinha. A conquista do povo português não é no relvado. Sinto orgulho no meu percurso, tenho trabalhado muito e só agora vejo alguns resultados. Como é que acha que me sinto quando vejo condecorado um jogador de futebol? Depois de tanto trabalho e investimento financeiro em estudos?!!
Absolutamente indignada.
Sinto orgulho em muitos dos professores que tive, tanto no ensino secundário como no superior. Sinto orgulho em tantos pensadores e teóricos portugueses que Vossa Excelência deveria condecorar. Essas pessoas sim são brilhantes, são um bom exemplo para o país... fizeram-me e ainda fazem querer ser sempre melhor. Tenho orgulho nos meus jovens colegas de doutoramento pela sua persistência nos estudos, um caminho tortuoso cujos resultados jamais são imediatos, isto numa contemporaneidade que sublinha a imediaticidade. Tenho orgulho até em muitos dos meus alunos, que trabalham durante o dia e com afinco estudam à noite....
São tantos os portugueses a condecorar... e o Senhor Presidente da República condecorou com a distinção de Cavaleiro da Ordem do Infante Dom Henrique jogadores de futebol... e que alcançaram o segundo lugar... que exemplo são para a nação? Carros de luxo, vidas repletas de vaidades... que exemplo são?!
Apresento-lhe os meus melhores cumprimentos,
Catarina
Imagem retirada do "DN - Madeira" de 8 Set 2011
Se as contas públicas da Região estão tão cristalinas como uma gota de orvalho, Vossa Excelência só terá vantagens em que sejam amplamente divulgadas antes das próximas eleições. Será a prova provada de seriedade e transparência do seu Governo.
Ou será que tem demasiados esqueletos escondidos nos armários?
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