Nicolau Maquiavel (Imagem retirada da NET)
Mal interpretado por muito boa gente, Nicolau Maquiavel passou à História como o grande inspirador das mais imaginativas tortuosidades praticadas no exercício do poder. Mas não. Partindo do princípio de que as cosas são como são e não como deveriam ser, este famoso precursor da ciência política, em plena época do renascimento, limitou-se a sistematizar de forma brilhante e pragmática todo o saber político da sua época. Saber este que se tornou intemporal e que, uma vez violado, quase sempre leva ao fracasso.
Abordo este tema a propósito de actual situação política da Madeira, porque achei oportuno retirar da sua obra mais conhecida “O Príncipe”, (escrita em 1513 e só publicada postumamente em 1532), o seguinte trecho:
«Pode chamar-se boa à crueldade (se é possível haver bem no mal) que se exerce somente uma vez, por necessidade de segurança, e depois se abandona e se converte o mais possível em benefício dos súbditos. A crueldade má é aquele que, embora ao princípio seja pequena, aumente com o tempo em vez de diminuir. Os que recorrem à primeira espécie de crueldade podem, com a ajuda de Deus e dos homens, encontrar qualquer remédio favorável […]. Quanto aos outros, é impossível manterem-se. Logo, convém notar que […] o ocupante[1] deve pensar em todas as crueldades que precisa de fazer e praticá-las imediatamente, de uma vez, para não ter de voltar ao mesmo processo e, não as renovando, tranquilizar os homens e conquistá-los pelos seus benefícios. Quem governar de outro modo, por medo ou mau cálculo, ver-se-á obrigado a ter a faca na mão e nunca poderá contar com os seus súbditos.»
Já não é segredo para ninguém o tremendo embaraço do Dr. Alberto João Jardim, que nunca foi capaz de planear seja o que for para lá de buracos contabilísticos, em apresentar um plano de resgate que abra uma porta, embora que muito apertada, ao saneamento financeiro da Região. Pelos vistos, ainda não percebeu que ele é o grande responsável pelo descalabro das contas da Madeira e tudo indica que, talvez por aconselhamento do presidente da JSD-M, irá anunciar as desgraças que nos esperam às mijinhas.
Ou seja, nos tempos que se avizinham, vamos ser confrontados, quase dia sim dia sim, com anúncios de mais uma “crueldade”. O que, em termos políticos, será fatal para o líder madeirense, conforme explicava Maquiavel há quase quinhentos anos.
Imagem retirada do DN-Madeira de 10/11/2011
Como qualquer ditador que se preze, o Sr. Dr. Alberto João Jardim fez um discurso longo em que se mostrou igual a si próprio.
E outra coisa não seria de esperar. A sua intervenção, recheada com as suas habituais falácias, fantasmas e fetiches, não foi mais do que uma repetição, travestida de boas maneiras, do que afirmou na campanha eleitoral.
Mais infalível do que um Papa, mais imaculado do que uma virgem pura, o líder madeirense vê-se como um iluminado que sabe tudo, num mundo de ignorantes, de aleivosos mal intencionados e de forças do mal ocultas e visíveis…
Enfim, Jardim não aprende mesmo, não é capaz do mais pequeno desvio, não tem culpa de nada e a crise não é com ele.
Lá diz o ditado: “quem torto nasce, torto morre”.
Imagem retirada da NET
João Gaspar Simões (1903-1987), escritor, ensaísta, historiador e crítico literário afirmava que só havia razão para se escrever quando se estava contra qualquer facto ou acontecimemto. Com efeito, as boas notícias não o são e o público, por razões que não vêm agora ao caso, só se interessa quando se fala do que está mal.
De qualquer forma, há de vez em quando boas razões para se noticiarem acontecimentos agradáveis, especialmente quando se destacam pela positiva e pela sua raridade.
Acabei de assistir na RTP ao discurso de Cavaco Silva no Conselho de Segurança da ONU. Para meu espanto e agrado e, ao contrário do ridículo em que, ao falarem em inglês, caíam Jorge Sampaio e José Sócrates (este com um inglês de envergonhar os abexins), vi o nosso Presidente da República discursar em Português. Ao fazê-lo revelou patriotismo, dignidade e sentido de Estado.
Até que enfim!
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