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Vou tentar resumir uma anedota com barbas. Não tem grande piada, mas vem mesmo a propósito do percurso do jardinismo que, de vitória em vitória, se aproxima a passos largos da derrota final.
Num hotel de vinte andares, decorria no piso térreo um concorrido baile. Às duas por três, declara-se um incêndio no último andar. Gera-se o pânico, as senhoras gritam, mas ao microfone aparece um cavalheiro que declara com ar solene:
— Mantenham-se serenos e continuem o baile. Nada vos vai acontecer. Eu sou o homem do pífaro!
E o baile prosseguiu. No entanto, à medida que o incêndio se propagava aos andares de baixo, repetia-se a cena do pânico e dos gritos. Porém, aparecia sempre o mesmo cavalheiro ao microfone a acalmar os ânimos, repetindo que era o homem do pífaro.
O resultado final foi o de todos os presentes morrerem queimados.
Moral da história: o tal cavalheiro NÃO ERA o homem do pífaro!
O mal dos políticos portugueses é só saberem governar quando não estão no poder. Quando estão de fora, sabem tudo e mais alguma coisa. Porém...
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Com Portugal à beira da falência, torna-se urgente minimizar os custos, nomeadamente os da governação da e administração pública. Porque é aqui que se têm notado os maiores desvarios no que respeita à utilização, quase sempre irresponsável, dos dinheiros dos contribuintes.
Como se sabe, neste particular, a Região Autónoma da Madeira, desde que foi institucionalizada, tem estado longe de se tornar um exemplo na matéria. Pelo contrário, a RAM acabou por se tornar mundialmente conhecida mais pelo descontrolo e ocultação dolosa do esbanjamento do que pelas suas maravilhas naturais.
Assim sendo, é altura de perguntar: será que uma pequena ilha onde vivem apenas cerca de 270.000 almas justifica um aparelho administrativo e político tão grande, com uma assembleia legislativa, secretarias regionais, carrões oficiais e mordomias escandalosas? Será que se justifica tanto espalhafato eleiçoeiro, como se daqui estivéssemos a governar o mundo todo?
A resposta já foi dada pelo Dr. Alberto João Jardim, que governou a solo. Porque, se algum mérito teve, foi o de provar por A+B que a autonomia não passa de uma artimanha para fugir ao controlo do Governo da República e que basta uma só pessoa, com meia dúzia de acólitos, para governar a ilha. Jardim, com o seu requintado espírito desportivo, não passa a bola a ninguém, para usar a metáfora futebolística, e faz o que muito bem lhe apetece. Porém, é bom que se refira, da mesma maneira em que o fez da forma desastrada e irresponsável que sabemos, poderia igualmente tê-lo feito dentro da legalidade democrática e com todo o acerto. Ou seja, mesmo sem os métodos ditatoriais de Jardim, é possível governar com muito menos gente.
O panorama político madeirense é uma lástima. Os secretários regionais não passam de uns paus mandados que não podem dar um suspiro (para não referir algo malcheiroso) sem o consentimento do chefe, a Assembleia não passa de uma câmara de ressonância do Governo e de uma oportunidade de a maioria governativa vexar e humilhar as oposições.
Se um governo regional ainda se pode aceitar minimamente — alguém tem de fazer o trabalho burocrático e conduzir os automóveis —, perante as dificuldades que hoje enfrentamos é difícil entender por que é que temos de pagar a ARL. Este órgão, que deveria ser o sacrário da autonomia e o orgulho dos madeirenses, durante mais de trinta anos de funcionamento (se tal se pode chamar á sua “actividade”), não produziu ainda um milímetro de trabalho útil. Pelo contrário, só serviu para desprestigiar a classe política e lançar a confusão. São 47 deputados, que nos custam os olhos da cara, a gozarem connosco. Positivamente. Porque nenhum é isento de responsabilidades.
Que os da maioria não tenham vergonha e se limitem a cumprir as ordens do Grande Timoneiro (quando deveria ser o contrário), ainda se entende, porque estão a defender o seu tachinho. Mas os restantes já não têm tal desculpa. Embora fingindo que estão zangados, vão engolindo de cabeça baixa todas as pílulas que o jardinismo lhes impõe. A isso chama-se cumplicidade porque deveriam, em nome da sua própria dignidade, dizer um rotundo NÃO à badalhoquice política. No mínimo, não comparecendo às sessões e deixar os outros a falar sozinhos.
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