Parece que chegou ontem ao fim um dos episódios mais rocambolescos e desastrosos da nossa história política recente. Cavaco Silva, num discurso a roçar o patético, quiçá preocupado com seu desastroso índice de popularidade, explicou aos portugueses que a trapalhada que provocou nestes últimos dias foi uma vitória sua. Porque, qual S. Pedro na corte celestial, abriu as portas do paraíso ao promover o diálogo e entendimento entre governo e oposição. Já que, segundo ele, o consenso entre partidos tem sido a receita de sucesso para os “países europeus de média dimensão”.
Porém, passem as palavras do discurso, o que os portugueses viram foi o seu Presidente dar o dito pelo não dito, tudo voltar à estaca zero e os mercados ficarem ainda mais desconfiados sobre as nossas capacidades de fazer face à crise económica.
Enfim, se até aqui o futuro de Portugal se afigurava negro, este triste acontecimento deixa-nos ainda mais angustiados, porque ficámos a saber que não podemos contar minimamente com o “Presidente de todos os portugueses”. Se por falta de actuação durante muitos anos ele esteve mal, verificou-se que, quando resolve actuar, é ainda pior.
De qualquer forma, espremido o caso até à exaustão, ressaltam dois aspectos que reflectem o pensamento de Cavaco Silva. O que não deixa de ser uma boa notícia, dado que o que se passa na sua cabeça tem sido um mistério esfíngico.
Em primeiro lugar, Cavaco reconhece, e muito bem, que o seu prestígio anda pelas ruas da amargura. De tal forma que, para resolver a crise, se propunha convocar uma figura de “reconhecido prestígio”. Ou seja, reconhece que, apesar de ser Presidente, não está à altura da situação.
Em segundo lugar, ao pretender que o entendimento entre os partidos é bom — vá-se lá saber concretamente de que entendimento se trata —, parece-me que estamos perante uma visão algo enviesada da democracia, onde os que governam deverão ser permanentemente vigiados pelas oposições. Porque, o pior que nos pode acontecer, é a cartelização da política, o que é, no fundo, a proposta de Cavaco.
Não tenhamos ilusões. Com os partidos todos do mesmo lado, há que fugir, porque vamos ser comidos vivos.
Imagem retirada do Blogue "Quarta república" (http://quartarepublica.blogspot.pt)
Caros leitores
Admiro a vossa paciência em visitar este meu espaço. Algo reconfortante que me é informado pelo contador de visitas. Contudo, como não há bela sem senão, fica-me na mente o travo amargo de não corresponder à vossa simpatia, escrevinhando aqui umas linhas que convidem à meditação, de preferência, bem humorada.
Nos tempos que correm, com a forma como é feita a política no nosso desgraçado país, já não vale a pena usar a escrita para combater o mal que nos aflige. O que por aí se anda a fazer nem sequer merece insultos, porque só á cacetada (por carência de guilhotinas) é que a situação se resolve.
Isolado diante do computador, que não tem culpa nenhuma, só me resta congelar-me num silêncio profundo porque, se pego no cacete, descarrego a minha ira no ecrã que tenho à minha frente e lá de vão umas centenas de preciosos euros. Com a agravante de poder ser acusado de violência doméstica...
Resumindo, falta-me aquela centelha de inspiração que me alumiou enquanto acalentei a esperança de viver em paz e dignidade os últimos dias da minha vida.
Porém, por vezes, no meio desta miséria toda, acontece que alguém me consegue fazer sorrir, de tão boa e oportuna que é uma piada. E não resisto em colocá-la aqui para que os meus corajosos amigos partilhem comigo de um dos raros momentos agradáveis que me foram dados experimentar.
Espero que gostem desta.
Imagem retirada do DN-Madeira de 3 de Julho de 2013
Desta vez tenho de dar razão a Jardim. Só um cego é que não vê que, nas coligações, a parte mais fraca só está à espera de uma boa oportunidade de roer a corda. E tal acontece fatalmente na pior altura possível.
E, além do mais, Portas só tem a ganhar. Quanto mais não seja, porque tem um ministério assegurado no governo que vier a seguir.
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