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“Um grande número de estranhos consegue cooperar com êxito graças à crença em mitos comuns.”
Yuval Noah Harari em
“Sapiens – História Breve da Humanidade”
Por outras palavras, podemos dizer que, para haver progresso, há que acreditar em alguma coisa.
Acontece porém que os pilares da crença, qualquer que ela seja, estão a ruir estrondosamente. Senão vejamos:
As religiões, por mais santas que sejam, têm sido ao longo da História, motivo para as mais cruéis selvajarias cometidas pelo homem. E, pelos vistos, tal tendência parece que não tem forma de abrandar.
A Pátria, pelo menos no tocante ao nosso país, acaba por ser a mãe dos ricos e a madrasta dos pobres que, ainda por cima, terão de arriscar a pele para defender as regalias dos primeiros. E, como se viu na recente Guerra Colonial, os que por terras de África a defenderam até ao sacrifício extremo, estão a ser abandonados, esquecidos e até vilipendiados.
Na política, o que hoje se vê — e o fenómeno não é assim tão novo — é os governantes não passarem de títeres ao serviços de poderes mais ou menos ocultos, para não dizer criminosos.
Na banca, acontece o impensável. O nosso dinheiro não está seguro e são os próprios banqueiros que o fazem desaparecer em passes de magia que fariam tremer de inveja o próprio Houdini.
No desporto, (o barão de Coubertin deve estar a dar voltas na campa...) o crime organizado atinge as mais altas esferas.
Por fim, vemos agora que as indústrias mais prestigiadas ao nível planetário fazem batota grosseira e generalizada. E a procissão ainda vai no adro.
Resumindo: restará ainda alguma coisa em que se possa acreditar?
"Inferno, ensinava a catequista da minha infância, é a ausência de Deus.
Hoje, passados cinquenta anos de inteso agnosticismo, duvidando por vezes da minha própria dúvida, pergunto a mim mesmo: será que ela tinha razão?"
António Loja em "As Ausências de Deus"
Meca, 24 de Outubro de 2015
(Imagem retirada da NET)
Acabei de ler, do escritor e historiador madeirense António Loja, “O Advogado de Roma”.
Nesta sua obra, escrita numa linguagem acessível e cristalina, o autor faz-nos recuar dois mil anos para nos transportar à Roma dos tempos de Tibério.
A narrativa decorre nun cenário de grande rigor histórico e tem por pano de fundo as deambulações de um ser livre e pensante pelos meandros da tirania vigente.
Parte da acção decorre em Roma, onde o Senado obedece cobardemente ao tirano, e parte da acção decorre no Médio Oriente onde o nosso herói, Júnio Graco, descendente de Tibério e Caio Graco, em cumprimento de uma ordem de Tibério, investiga os acontecimentos que levaram à crucificação de Jesus Cristo.
Porém, à medida que avançamos na leitura, somos confrontados frequentemente com a interrogação: onde é que eu já vi isto? Parece que estou a ler uma história recente...
É que o homem, nos jogos de poder, nas misérias e grandezas, na heroicidade e na cobardia, é imutável.
E deste livro poderemos tirar várias conclusões, mas limito-me a referir a que me parece mais oportuna: desde o déspota encartado ao mais insignificante tiranete, há sempre ao seu dispôr uma vara de lambe-botas que o perpetuam no poder e lhe apoiam e aplaudem todas as patifarias.
NOTA: O lançamento desta obra terá lugar na Câmara Municipal do Funchal às 18 horas do dia 18 de Setembro.
Nascido do oficialmente do extinto "Jornal da Madeira", instrumento descarado de propaganda partidária ao serviço do partido do governo da RAM, aparece agora nas bancas madeirenses um novo jornal. Desta feita, com o título "JM", decerto para ser diferente...
Produzido nas mesmas instalações do periódico anterior, quiçá com o mesmo buraco financeiro, é vendido ao preço de 0,70€. O que não deixa de ser novidade, porque o anterior era de borla.
Acontece porém que a qualidade do dito cujo deixa muito a desejar, tal como acontecia com o seu progenitor.
Pelo que se sugere que em vez de "JM" se mude o título para "J da M".
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