Viver na terceira idade tem as suas vantagens e os seus inconvenientes. Mas estes não são para aqui chamados, porque não vale a pena chorar sobre o leite derramado. O tempo não volta para trás. Quanto às vantagens, vou apenas referir a de não se ter de aturar chefes e patrões. O que não é pouco...
Porém, mesmo esquecendo as desvantagens, nem tudo são rosas. Nos tempos que correm, vulgarizou-se uma linguagem, quiçá desenvolvida pelas pessoas bonzinhas que, numa espécie de caridade “low cost” (perdoem-me o barbarismo), fingem querer amenizar a velhice, tratando os anciãos por eufemismos rascas e malparidos, em vez de tentar resolver as verdadeiras dificuldades inerentes ao peso dos anos.
Já agora, aproveito para referir que a dita caridade já chegou aos pretos, que passaram a ser negros (qual é a diferença?), aos pobres, que “viraram” desfavorecidos (será que os defesas no futebol passaram a ser desavançados?), aos paralítcos, que foram promovidos a paraplégicos, tetraplégicos e exaplégicos (no caso de terem cornos), aos cegos que, pelos vistos, melhoraram a visão passando a ser invisuais, às alternadeiras que já não são aquilo que se dizia, ao cocó que mantém o cheiro, e por aí fora.
Vem ainda a talho de foice — as palavras são como as cerejas —, uma espécie de dialeto amplamente utilizadona TV, que se situa entre o intelectualês e o complicadez. Para exemplificar, segue uma pequena amostra em jeito de dicionário de bolso:
Enfim, malhas que o “pugresso” (*) tece...
Mas estou a fugir ao tema. O que me traz aqui é o termo “idoso”, o que quer dizer que “tem idade”. Algo que podemos, com toda a propriedade, chamar a um recém nascido com poucos segundos de vida.
Posto isto, não se percebe bem a razão pela qual passaram a chamar aos velhos idosos. O que é que tem de mal a palavra “velho” quando aplicada a pessoas?
Eu cá, quando alguém me chama idoso, fico com vontade de lhe dar uma resposta torta.
(*) Escrito em cavaquês
Imagem retirada do Blogue "Quarta República"
NOTA:
Reconheço que a imagem favorece muito o actual governo.
Mas, em nome da isenção, concordei em publicá-la.
Pelo menos tem piada...
...portanto,
Já que colocam fotografias de gente morta nos maços de cigarros, porque não colocar também:
FANTÁSTICA IDEIA !!!
SE CONCORDA, DIVULGUE...
Recebido por correio electrónico
... mas eficaz!
Todos conhecemos Diogo Inácio de Pina Manique como uma espécie de super-polícia da sua época, apesar de possuir um currículo bem mais impressionante e extenso do que isso. A sua carreira, apesar de sempre enquadrada na Administração Pública e ao serviço da coroa, não o impediu de ser um profissional pragmático e ciente de que tinha investida uma missão de servir os interesses do povo e da nação portugueses não cedendo aos interesses particulares nem corporativos.
Em determinada altura o Duque do Cadaval ter-se-ia dirigido a Pina Manique de uma forma excessivamente familiar, puxando dos galões de ser um procurador do reino com muitos anos de experiência. O que hoje sabemos é que Manique não gostou mesmo nada. Sentindo-se desrespeitado escreveu a seguinte carta ao Duque. Assinou “Pina Manique, Corregedor de Santarém”, uma assinatura no mínimo irónica pois, por essa altura, ele era já muito mais que “apenas” o corregedor de Santarém, possuindo amplos poderes na administração do reino e a confiança pessoal da família real para muitos assuntos de Estado.
Nesta carta, podemos ver que de algumas coisas não é possível acusar Pina Manique: de falta de capacidade de síntese, de apego ao cargo, de falta de espinha dorsal e de falta de espírito. Aqui está essa famosíssima carta:
“Exmo. Sr. Duque de Cadaval,
Se meu nascimento, embora humilde, mas tão digno e honrado como o mais alta nobreza, me coloca em circunstância de V. Excia. me tratar por tu caguei para mim que nada valho. Se o alto cargo que exerço, de Corregedor da Justiça do Reino em Santarém, permite a V. Excia., Corregedor-Mor da Justiça do Reino, tratar-me acintosamente por tu, caguei para o cargo. Mas, se nem uma nem outra coisa consente semelhante linguagem, peço a V. Excia. que me informe com brevidade sobre estas particularidades, pois quero saber ao certo se devo ou não cagar para V. Excia.
Santarém, 22 de Outubro de 1795.
Pina Manique
Corregedor de Santarém”
Recebido por correio electrónico
Comentário:
Volte, caro Pina Manique, que está a fazer muita falta!...
Fotografia de Sandra Delgado (Retirada da NET)
O antiquado e ronceiro Aeroporto de Lisboa acabou de ser renovado. Deixou de se chamar simplesmente "Aeroporto de Lisboa" e passou a ser "Aeroporto Humberto Delgado". Com este importante melhoramento, os passageiros vão sentir-se muito mais confortáveis enquanto se mantiverem nas instalações, especialmente durante as sevícias a que são sujeitos pelos agentes da segurança.
Esperamos no entanto que, por via desse grande benefício, não tenhamos que pagar ainda mais taxas.
Para que a reforma do Estado esteja terminada, no que respeita a medidas de fundo só falta implementar o novo cartão de identidade que, como se sabe, vai ser muitíssimo diferente do anterior. Em vez de se chamar "Cartão do Cidadão", vai passar a chamar-se "Cartão de Cidadania". O que melhora tudo, como é bom de ver.
Isto é que é trabalhar!
E nós a beneficiar!...
Imagem retirada da NET
Há quem diga que um especialista é aquele que sabe tudo sobre quase nada e que um eclético é aquele que não sabe nada sobre quase tudo.
Vem isto a propósito do aparecimento de uma classe de sábios da alta finança que, não conseguindo explicar ao cidadão comum a bondade dos paraísos fiscais e organizações afins, atiram-lhe à cara o recém inventado chavão da “iliteracia financeira”. Como se todos fossem obrigados a conhecer os meandros intrincados da sua “ciência”...
Esquecem-se no entanto de que, se formos por esse caminho, lhes podemos atirar à cara a sua iliteracia nos restantes ramos do saber, nomeadamente no que se relaciona com o bom senso e o respeito.
Na prática, o que esses iluminados pretendem é algo parecido com o mistério da Santíssima Trindade, que só pode ser entendido pelos melhores teólogos. Ou seja, eles é que sabem e o pagode que cale a boca e baixe as orelhas.
Para terminar, admitindo que as sumidades em questão sejam infalíveis, não se percebe minimamente como é que não conseguiram evitar a situação catástrófica em que vivemos. Poderão estar no caminho certo, mas o que está a acontecer é os ricos ficarem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
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