CONTRA OS ABUSOS DO PODER VENHAM DONDE VIEREM
Segunda-feira, 18 de Junho de 2007
Fur

  Imagem captada na NET

 

Durante muito tempo, aqueles que escreviam um livro ou produziam uma película cinematográfica, sem perderem de vista a mensagem que desejavam transmitir, faziam um esforço significativo para agradarem a quem, desapertando os cordões á bolsa, contribuíam para o seu sustento. Por outro lado, quem desembolsava o seu dinheiro, fazia-o para beneficiar de uns momentos agradáveis. Estou a recordar-me, por exemplo, do nosso grande Eça que conseguia criticar duramente a sociedade do seu tempo escrevendo uma prosa contundente mas elegante, agradável e de muito bom gosto. Era, e ainda é, um grande prazer ler e reler as suas obras literárias.
Hoje em dia, passa-se o contrário. O escritor, o cineasta e outros artistas, sentem-se na obrigação de agredir e desagradar a quem caia na asneira de pagar para ter acesso às suas obras. Talvez estejam cheios de razão, e até mostrem uma coragem notável, mas eu, de moto próprio, recuso-me a gastar o meu rico vil metal para contribuir para o sustento dessas pessoas.
Vem tudo isto a propósito do último filme a que fui quase obrigado a assistir. De seu nome “Fur”. Pretensamente, uma película inspirada na vida e obra da fotógrafa Diane Arbus. Porém, quanto se sabe, essa biografia foi, para o efeito, totalmente desfigurada. Moralidades á parte, parece-me que este filme foi concebido com a única intenção de tirar as roupas a uma das mais belas estrelas do nosso tempo, a capitosa Nicole Kidman. E assim conseguir mais um sucesso de bilheteira. E não será por acaso que a acção começa e acaba num campo de nudistas.
Não sou puritano nem esperava ver a Nicole a desempenhar o papel de freira, mas senti-me enganado. Estava à espera de uma história interessante, temperada com uma ou outra cena mais ousada, mas deparei com um filme deprimente onde nem a nudez, real ou insinuada, da protagonista compensou o tédio provocado por cenas que nem chegam a ser chocantes ou esclarecedoras de alguma coisa. Eram simplesmente incómodas e desnecessariamente arrastadas. Se alguma coisa aprendi, embora de forma fugaz e longínqua, foi um pormenor de pouca monta: é que essa beldade só é loira na cabeça… Muito pouco, tendo em conta o preço do bilhete.


publicado por Fernando Vouga às 22:15
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1 comentário:
De Luís Alves de Fraga a 19 de Junho de 2007 às 00:11
Caro Amigo,
Muito obrigado pelo dinheiro que me ajudou a poupar... Mesmo assim, também, nos tempos mais próximos não tenho oportunidade de ir ao cinema ou fazer outra coisa diferente de escrever. Estou empenhado, a fundo, na escrita de um longo ensaio.
Um abraço e bons passeios a cavalo


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