CONTRA OS ABUSOS DO PODER
VENHAM DONDE VIEREM
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Madeirices
Parece-me discutível, para efeitos da aplicação da recente lei do tabaco, considerar público um espaço alugado pela supracitada ASSICOM num hotel para uma reunião privada onde todos, utentes e funcionários, estariam de acordo em que fosse permitido fumar. Mas não é isso o que me proponho tratar. O que está aqui em causa é a tentativa de, perante a comunicação social, pessoas altamente responsáveis na governação da RAM, com uma ostentação e arrogância inadmissíveis, mostrarem que, quando não lhes convém, se sentem com todo o direito a desobedecer à Lei.
Não é com exemplos destes — e não são poucos — que o cidadão comum se vai convencer a, de uma vez por todas, cumprir as leis deste país. Este comportamento, demasiado comum nas figuras importantes (estou também a lembrar-me de um ministro que circulava a mais de duzentos quilómetros à hora), transmite uma mensagem clara: a de que as leis restritivas só se fizeram para os fracos e desfavorecidos.
Por outras palavras, sendo para os governantes e outras pessoas importantes uma questão de prestígio não cumprir a Lei, para o cidadão comum, cumpri-la, não passará de uma humilhação.
Nota:
Nem de propósito, no DN-Madeira de hoje, nas cartas dos leitores, uma senhora queixava-se de, numa discoteca do Funchal, a lei do tabaco estar a ser ostensivamente desrespeitada, perante a passividade dos empregados. É de dizer: com exemplos destes...
De António José Trancoso a 30 de Janeiro de 2008 às 22:29
Caro Monteiro Vouga
Em Moçambique, logo após a Revolução de Abril, o General Diogo Neto, em conversa amena, em roda de Oficiais, contrariando a euforia da maioria, colocava os pontos nos ii, alertando para uma realidade resultante de um saber de experiência feito:
" Meus senhores, não tenham ilusões. O que sempre vigorou e sempre vigorará é o seguinte:
Para os amigos, TUDO; para os outros, a LEI."
Esta máxima não deixa de ser verdadeira se outros forem os seus intervenientes:
Para os "Cidadãos Encartados", isto é, para os Detentores do Poder, TUDO; para os outros, isto é, para os somente "habitantes", a LEI.
E tudo se agravará, exponencialmente, quando os poderosos transportam em si as características próprias de serem filhos...únicos, mimados, birrentos, malcriados, vingativos, prepotentes, insuportáveis.
O vinho seco, no entanto, faz o milagre de multiplicar a realidade por -1.
Assim, " lá vamos, cantando e rindo"...
De António José Trancoso a 4 de Fevereiro de 2008 às 19:43
Caro Monteiro Vouga
Relendo este seu post e a propósito da senhora que verificou a inobservância da lei do tabaco na discoteca, ocorre-me perguntar:
Se, em vez da discoteca, a senhora tivesse visitado um "inocente" bar de alterne, porventura esperaria aí encontrar a Madre Teresa de Calcutá ou a Virgem Maria?!
O radicalismo, de certas leis fundamentalistas, acaba, inevitavelmente, no ridículo.
E, ainda aqui vamos.
Como somos um povo de inveterados copiadores do que se faz "lá fora", só falta cabular a legislação do Canadá, e, voltarem, os "criminosos tabagistas", a fumar o seu cigarrito às escondidas, na casa de banho, como quando eram garotos.
Mas "mandar para a veia" isso não interessa para nada, pois não?!
Nem para o Orçamento, sustentado por todos nós?!
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