CONTRA OS ABUSOS DO PODER
VENHAM DONDE VIEREM
Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
Dilemas tortuosos - 2ª parte

Rembrandt - Aula de Anatomia
Eis aqui a nova situação, directamente transcrita da obra de que falei na nota anterior.
“Há cinco doentes a morrerem num hospital, cada um por falha de um órgão diferente. Cada um seria salvo se fosse encontrado um dador para cada órgão doente específico, mas não existem dadores disponíveis. É então que o cirurgião repara que está na sala de espera um homem saudável cujos cinco órgãos em questão se encontram em boas condições de funcionamento e são adequados para transplante.”
O que pensam os meus queridos leitores? Será que, para salvar cinco vidas, o cirurgião tem legitimidade para tirar a vida ao “dador”?
De António José Trancoso a 19 de Fevereiro de 2008 às 00:05
Caro Monteiro Vouga
Não. Definitivamente, não.
(Em minha opinião, esta situação é bem mais simples que a anterior).
Um abraço.
De
Dulce a 19 de Fevereiro de 2008 às 01:12
Claro que não. Aqui não há dilema nenhum. Ou então, eu não percebi.
Caros amigos
Dulce e António Trancoso
Este meu comentário não se destina a encerrar o assunto. Antes pelo contrário.
Esclareço desde já que não se trata de uma espécie de adivinha. nem tem "solução escolar". Apenas se pretende pôr as pessoas a pensar.
Reparem que, desta vez, não tiveram dúvidas. Por isso, pergunto: qual será a diferença essencial entre as duas situações?
PS (que nada tem a ver com o partido do Governo): Convido os demais leitores a entrarem na discussão.
De António José Trancoso a 20 de Fevereiro de 2008 às 14:04
Meu Caro Amigo
Estando em causa uma opção que implique o sacrifício de vidas humanas, a decisão, que altere o natural curso dos acontecimentos, carece de legitimidade.
Não sei se, até, do ponto de vista jurídico, no 1º caso, o Agulheiro, ao desviar a Máquina, não poderia ser acusado de homicídio voluntário !?!
Creio que, exceptuando as situações inerentes à Legítima Defesa ou à Condição Militar, raras poderão ser as decisões que se enquadrem no âmbito da Legitimidade.
Bem, a minha resposta a este segundo dilema fica então respondido no meu comentário ao primeiro: não me parece que tenha essa ligitimidade. Não pode provocar directamente a morte de alguém para salvar a vida de outros 5. Que seja forçado a escolher entre duas tragédias é uma coisa, que seja ele o responsável pela ocorrência de uma delas é claramente outra. Não me parece que possa alguém matar para salvar vidas: é uma vida humana que está em causa.
De
maremoto a 24 de Fevereiro de 2008 às 11:20
Claro que aqui a questão é "simples".
Deixa-se morrer os cinco. As questões matemáticas não se aplicam à vida (cinco é melhor do que um?)
Lá estamos nós a querermos ser deuses, a decidir - neste caso o cirurgião.
De
Dulce a 25 de Fevereiro de 2008 às 19:17
Estou farta de pensar qual será de facto a diferença ESSENCIAL entre esta situação e a anterior. Parece-me que aceito melhor o inevitável da morte que deriva da doença... o acidente contem uma dose extra de estupidez...
e temos a tendência de, até ao fim, julgar que podemos intervir.
(Confuso, eu sei...)
Claro que a solução de matar um saudável para salvar cinco está posta de parte. E, porque não, escolher, dos cinco, um para doar aos outros quatro quatro órgãos que lhes fazem falta e mata-se esse (que, de qualquer maneira, já estava condenado)?
Depois, o cirurgião convida o indivíduo saudável para ir beber uma bica e explicar-lhe a sorte que teve!
Quanto ao êxito dos transplantes... logo se veria... Assim como assim estavam todos condenados!!!
Acha mal, meu caro Vouga?
Um abraço
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