











Poderá parecer estranha a teimosia da actual Ministra da Educação. E, mais ainda, pelo facto de ter transformado a política de avaliação dos professores num autêntico braço de ferro o qual, caso falhe, causará sérios embaraços ao actual Governo, mormente nos actos eleitorais que se aproximam.
Ora, sendo os professores apenas uma parte (embora numericamente significativa) dos milhares de servidores do Estado, o que é que haverá de diferente nesta classe para justificar tal procedimento?
A diferença está no facto de os professores, todos os dias, falarem para milhares de alunos. E isto quer dizer que haverá que ter mil cuidados, de forma a não permitir que, nas salas de aula, se transmitam aos alunos ideias aleivosas contrárias aos superiores interesses da Pátria (leia-se do Partido).
Por outro lado, com um pouco de jeito, os professores poderão ser uma arma poderosa contra a proliferação de livres pensantes, capazes de colocar em dúvida os méritos iluminados do Grande Timoneiro e dos seus seguidores. E, na passada, elogiar a governação.
Assim, há que criar nas escolas, a todos os níveis, mecanismos que evitem todo e qualquer desvio ao rumo traçado e, por outro lado, engrossar as fileiras apoiantes. Cada professor tem de estar vigiado dia e noite, pelo seu avaliador, pelo seu colega, pelo seu rival, pelo contínuo (agora tem outro nome), pelos alunos, pelas mulheres da limpeza (quando haja), pelos pais, pelo polícia de giro. Isto para não falar dos controleiros partidários que, nestas circunstâncias, surgem como bostas de vaca em terras de pastagem. E tudo terá de ser cuidadosamente registado nos milhares e milhares de papéis que os docentes têm de preencher, para serem depois devidamente passados para suporte informático...
Nestes termos, os professores só terão duas saídas: ou abandonam a profissão (os pedidos de reforma não param de crescer), ou correm o risco de se transmutarem em meras correias de transmissão da propaganda oficial.
E é por esta razão que os professores não querem ceder. Porque, embora não o possam dizer publicamente, lá no fundo sabem perfeitamente que o que está em causa não é a sua avaliação, que não passa de um disfarce, mas o seu controlo pelo poder político.
De
ALG a 20 de Novembro de 2008 às 23:29
Temo que tenha muita razão nos seus pontos de vista e este (des)governo tem dado mostras de querer aniquilar quem lhes possa, de algum modo, fazer frente e demonstrar que as suas políticas, no que é estrutural, deixam muito a desejar.
Na minha experiência como docente, embora não sujeito a este regime profissional, uma vez que o fiz no IO, apercebi-me da enorme falta de conhecimento entre os burocratas do Ministério e entre quem efectivamente tem de colocar em prática as suas teorias, erro que seguramente se estende a outros domínios da sociedade.
Mas a pouco e pouco, como já está a suceder, vâo voltar atrás, ainda que não o reconhecendo claro, como convém, mas entretanto já provocaram danos aos envolvidos.
Cumprimentos
http://www.duarte-gouveia.info/2008/11/direito-a-resistencia-fernando-vouga/
Caro senhor Duarte Gouveia
Ficar-lhe-ia muito grato se inserisse texto seu neste espaço, em vez do URL.
O processo a que obriga para chegar ao seu blogue é demasiado complicado para muito boa gente.
De António José Trancoso a 2 de Dezembro de 2008 às 02:00
Caro Monteiro Vouga
Como se sentiria o meu caro Amigo, na qualidade de passageiro, num avião tripulado por mim que nada percebo de pilotagem?
Sempre ouvi dizer que "quem não sabe leccionar, vai para inspector".
Na situação presente, tudo indica que "quem pouco sabe de Educação mas muito de, obtusa e teimosa, burocracia, vai para secretário de estado e/ou ministro.
E é esta gente que quer impor um mirabolante modelo de avaliação, crivado de armadilhas economicistas, a profissionais que, por dever de ofício, têm de ser especialistas naquele domínio !!!
O descaramento do poder descricionário não tem limites!
Um abraço.
De António José Trancoso a 2 de Dezembro de 2008 às 12:31
Corrigenda:
Onde se lê descricionário deverá ler-se discricionário.
Como diz o adágio,"Cadelas apressadas parem os filhos cegos."
Ao autor do blog, bem como aos seus leitores, apresento as minhas desculpas
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