
Com a crescente degradação da vida política portuguesa, vai tomando forma a ideia de que por um lado, para receberem mordomias e imunidades, os políticos pertencem uma casta superior enquanto que, por outro lado, quando chega a altura de se avaliar a sua idoneidade, basta-lhes não terem sido condenados pelos tribunais ou terem os papéis militares em ordem, como parece ser o caso.
Ao cidadão Manuel Alegre, tendo às suas costas a embrulhada da sua passagem pela vida militar, não lhe basta provar que não foi tecnicamente desertor. Tem de explicar muito bem porque é que foi parar à Argélia e colocar-se ao serviço do inimigo. Bem ou mal, a Pátria estava em guerra. Toda uma geração respondeu com generosidade e combateu durante treze longos e penosos anos, estoicamente, à espera que o Regime encontrasse uma solução para lhe por fim.
Porém, Manuel Alegre, menino rico, sendo alferes miliciano em Angola, não quis esperar. Preferiu enveredar pelos caminhos da conspiração e daí o terem passado à disponibilidade, na altura em que lhe foi instaurado um processo pela PIDE, ainda em Luanda. Ou seja: se tecnicamente não é um desertor é, no mínimo, um traidor. Tecnicamente, claro. O que não é brilhante, para um futuro Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas.
Acresce ainda o facto de este senhor, para lá de ser político profissional, de escrever uns livros mais ou menos poéticos, de botar umas falas em voz grossa, nunca trabalhou no duro para ganhar o seu sustento. Não acabou nenhum curso universitário (pelo menos tem o mérito de não se ter servido de expedientes rascas para obter um diploma). Que se saiba, teve apenas uma colocação nos “Serviços Recreativos e Culturais” da RTP, apesar de ter sido estudante de Direito, matéria bem pouco recreativa... Colocação essa que, ao que parece, teve como único resultado palpável uma pensão de reforma.
É altura de dizermos NÃO. Esse senhor pode ser muito respeitável mas não serve!
De Rui Saraiva Alves a 14 de Maio de 2010 às 12:53
Quem pagou a Manuel Alegre (e a outros) para que nesse tempo ele(s) tenha(m) cometido os seus actos de traição?
Manuel Alegre foi um "agente" ao serviço de que país?
Ou de que países?
Como era composto o grupo de corrupção/conspiração que partia do seio mesmo do governo português dessa época e que facilitou todas as "démarches"?
Quais foram os oficiais superiores das nossas FA que se alinharam neste sombrio acontecimento?
Alguns ainda andam aí !
Manuel Alegre não caiu na Argélia por acaso, uma tentativa foi feita sobre Paris, não o esqueçamos.
Aconteceu que o governo Francês não se quis "açucarar" nesta história e propôs todas as ajudas para que a plataforma mais segura tivesse sido Argel.
Manuel Alegre nunca esteve sozinho.
Saudações a todos.
Rui Saraiva Alves.
Caro Rui Saraiva Alves
Não estou a desconversar, mas não estou a ver onde quer chegar. E fiquei curioso. Pode ser mais explícito?
Desde já os meus agradecimentos.
De Rui Saraiva Alves a 14 de Maio de 2010 às 23:33
Caro Sr. Fernando Vouga.
Nesse tempo havia no nº 21 do Bd. St. Michel, Paris V, uma caixa de correio que era apenas uma caixa de correio...
Desconhecia-se quem colhia a correspondência, porém, era por ali que transitavam bastantes informações e todos os contactos eram estabelecidos a partir deste ponto de recepção.
Parece-me que era o 21, sei que ficava a poucos metros do cinema St. Michel e do lado esquerdo de quem sobe o Boulevard.
Paris, nessa época, foi a grande plataforma para certas catapultagens, e, catapultagens essas que foram de todos os “timbres”!
Quem foi uma tal “Mé”?
E o Artur?
Posso dizer-lhe Sr. Fernando Vouga que o 21 Bd. St. Michel encerra seguramente uma parte da nossa História.
Não saberei ser mais claro, entendo que Manuel Alegre nunca foi nem autónomo nem solitário.
Mas, guardemos connosco A Trova do Vento que Passa, porque como todos bem sabemos:
- O Vento nada nos diz !
Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves
Caro Sr. Rui Saraiva Alves
Obrigado pela sua informação.
De acordo com o que me foi transmitido por alguns velhos membros do PCP, MA era também militante desse partido. E quando eclodiu a Guerra Colonial, os dirigentes ordenaram aos seus militantes que cumprissem escrupulosamente o serviço militar, como os demais cidadãos, incluindo a participação activa na dita guerra. A ideia genérica era distribuir os militantes pelas unidades expedicionárias para, na altura própria, passarem à acção.
Segundo o PCP, MA, ao fugir de Portugal, pura e simplesmente, desobedeceu às ordens que tinha e traiu o partido. Algo que os comunistas nunca lhe perdoaram.
A talho de foice, estou a lembrar-me do que aconteceu a outro ex militante do PCP, um tal Mário Soares, que preferiu o quentinho de um exílio dourado em Paris. Daí o PCP ter recomendado aos seus militantes que votassem em MS (nas eleições contra Freitas do Amaral), mas de cara voltada...
E muito mais haveria para dizer!
Cumprimentos
De Rui Saraiva Alves a 16 de Maio de 2010 às 01:32
Caro Senhor Fernando Vouga.
Mário Soares é mais um dos que, tal como Manuel Alegre e outros, também foi pago para certos procedimentos e sobretudo para se fazer ouvir de uma certa maneira.
Refugiou-se en Rennes onde foi professor de Português na Universidade dessa cidade e sem sabermos nem como, nem porquê, tornou-se pouco mais tarde proprietário imobiliário na Av. de Grenelle e no Bd. Garibaldi em Paris.
Numa emissão TV em directo, transmitida pela cadeia A2 em 1974, cujo jornalista/apresentador era Jean Marie CAVADA, ouviu-se ao telefone o povo Português a gritar o nome de Mário Soares a partir da nossa Praça do Comércio.
Isto até deu a impressão de que Mário Soares era "o plebiscitado"...mas foi só uma impressão !
Os capitais e as Capitais que fomentaram estas e mais manobras foram silenciosos e todos bem "Superiores" aos oportunismos que posteriormente se verificaram.
Note-se que este tipo de "agentes" (como Manuel Alegre, Mário Soares e muitos mais) foram todos, mas todos, pagos a pêso de ouro.
Hoje, deveremos debruçar-nos sobre as injustiças da História, sobre os Ideais dos Homens, sobre a corrupção dos podres ou...sobre a máscara do cinismo?
Continuamos a ser enganados, sem dúvida, e esta gente não ganhou só eleições, sabe-se que quantias fabulosas foram postas à disposição para se conseguir fazer guerras e revoluções a partir dos W.C. de suites "five star hotel", onde se escondia material de comunicações altamente sofisticado.
Os nossos Serviços bem o sabiam e consentiram, porquê?
Quem infiltrava quem?
É bem claro que "O VENTO NADA NOS DIZ..." !
Confesso-lhe, Sr. Fernando Vouga, que bem sombria dúvida me resta:
- Mário Soares advogado da família de Humberto Delgado !?
Penso que todas as análises nos levam ao mesmo dossier:
- São apenas "agentes" de alto calibre e pagos para exercer um certo trabalho.
Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves
De António Trancoso a 19 de Maio de 2010 às 11:31
Meu Caro Monteiro Vouga
Confesso que fiquei admirado com o drástico julgamento que faz a Manuel Alegre !
Não sei se servirá ou não para o correcto exercício da Presidência da República; isso, só o tempo o poderá confirmar, se, porventura, vier a ser eleito.
Estou convencido, no entanto, que inferior postura, àquela que, factualmente, o actual Presidente nos tem oferecido, será difícil de reeditar.
Permita-me, ainda, meu Caro Amigo, que contraponha uma outra visão ao que afirma:
"Toda uma geração respondeu com generosidade e combateu durante treze longos e penosos anos, estoicamente, à espera que o Regime encontrasse uma solução para lhe por fim."
Não contesto a generosidade inicial que respondeu à propaganda orquestrada por um Regime teimosamente alheado do seu tempo.
Porém, no decurso de uma situação, dramaticamente sem vislumbre, a Pacífica Voluntariedade foi, rapidamente, substituída pela imposição da mais Violenta das Obrigatoriedades.
Tão violenta que até os Militares de Carreira (paulatinamente conscencializados do miserável embuste) contra ela se rebelaram e lhe puseram legítimo fim.
Fim esse que, tanto Manuel Alegre como muitos outros, de múltiplas formas, propugnavam desde o início do injusto conflito.
Nesta perspectiva, onde enquadrar a Traição?!
Afinal, quem é que, de facto, traíu o Povo Português ?!
Meu Caro Monteiro Vouga
Provavelmente, voltaremos ao assunto quando nos encontrarmos.
Um abraço.
Começo por lhe agradecer este seu comentário e, ainda mais, pelo facto de ser discordante. Tudo porque, ao fazê-lo, mostrou que confia na nossa amizade. Bem haja
Mas não fica sem resposta.
O que vou dizer é, contra o costume, muito pessoal. Não gosto de falar de mim mas, se o faço agora, é porque não posso generalizar.
Talvez porque não tivesse nascido em berço de ouro, não fui bafejado à nascença pela fada da sabedoria, como parece ter sido MA que, num relance, descobriu que tudo estava mal. Ou seja, perante um facto relevante como foi a minha primeira mobilização, dei o benefício da dúvida ao salazarismo e avancei para África como se fosse participar na salvação da nossa tão querida civilização e provei o pão que o diabo amassou. E mais, apesar da posterior acumulação de dúvidas sobre a bondade da guerra colonial, nas duas comissões que se seguiram, continuei a dar o meu melhor, não fosse o dito diabo aproveitar-se da minha condição de mal nascido para espalhar que eu não possuía aqueles apêndices no entre-pernas que caracterizam os valentes. Porque só os filhos de algo se baldam à guerra pelas mais nobres razões…
Tenho ainda a sensação de que, se me metesse nas alhadas em que se meteu o fogoso repetente candidato a PR, não teria a sorte de conseguir fugir às garras dos bondosos homens da PIDE. Decerto que faria uns estágios nas estâncias de veraneio de Peniche e do Tarrafal, com direito a tratamentos que me escuso a descrever.
Meu caro amigo. Não discordo do que diz, porque é uma opinião válida. Mas continuo a acreditar — só se acredita quando não se sabe tudo — que esse senhor não pode ser o mais alto magistrado da Nação. Parece-me um saco de vento.
Concordo ainda consigo quando refere à “alternativa”. O actual PR, apesar de ter trabalhado na vida como professor catedrático, devidamente doutorado e com prestígio internacional, tem-me desiludido. É uma desgraça. Mas parece-me um mal menor.
Um grande abraço para si, António Trancoso
Caro Fernando Vouga,
O problema da suposta traição de Manuel Alegre passa por se entender a diferença entre legalidade e legitimidade.
Na verdade, olhando a legalidade dos tempos do Estado Novo, Manuel Alegre foi um traidor, embora não tenha sido um cobarde (porque aceitou ir para a guerra da qual discordava e porque, com coragem, afrontou a perseguição que impunha a sua discordância). Cobardes terão sido, ainda à luz da legalidade do Estado Novo, todos os que se refugiaram no exílio mesmo antes de cumprirem a obrigação militar.
Olhemos, no entanto, para a questão da legitimidade. Era legítima a guerra que o Estado Novo impunha aos militares do quadro permanente e do contingente de conscrição? Era legítimo privar colónias da sua liberdade e do direito de disporem do seu destino?
Eu sei que o meu Amigo responde, de imediato, que não havia legitimidade naquela guerra que nos impuseram. Demoraram alguns anos os militares do quadro permanente a tomar consciência colectiva dessa ilegitimidade, porque estavam demasiado espartilhados pela cinta da legalidade. Em 25 de Abril de 1974 acabámos com a legalidade ilegítima e criámos uma legalidade democrática, por isso legitimamente partilhada por todos. Ao fazermos o 25 de Abril pusemo-nos, clara e indubitavelmente, ao lado de todos os que estavam ilegais no Estado Novo, mas que, todavia agiam com legitimidade contra esse mesmo Estado Novo. Quer dizer, não podemos acusar desertores por razões políticas nem, muito menos, de traidores todos os que, antes de nós, estiveram em luta aberta contra a ilegitimidade do Estado Novo. Esses só tiveram uma vantagem sobre nós: viram mais cedo o que nós vimos mais tarde! E tiveram uma desvantagem: não tinham a força das armas para tornar legítima uma situação ilegítima, embora legal, porque apoiada nos meios que detinham a capacidade de exercer violência máxima.
Espero não ter sido longo, mas ter sido suficientemente convincente para deixar claros campos de ideias que andam, propositadamente, obscuros nos tempos que correm.
Um grande abraço
Caro Alves de Fraga
Obrigado pelo seu valioso contributo.
Dou-lhe razão. Legalidade e legitimidade não são a mesma coisa. Mas, em boa verdade, não faço acusações a MA enquanto cidadão.
O que me preocupa é a sua candidatura a PR. Que diabo, não se consegue ninguém melhor? Alguém que seja aceite com facilidade pela maioria dos portugueses? Sem "rabos de palha"?
Penso que as polémicas à roda de MA, tal como as trapalhadas do actual PM, nada contribuem para tão necessária pacificação do ambiente político.
E é isso que está aqui em causa.
Um grande abraço
De Rui Saraiva Alves a 7 de Junho de 2010 às 23:27
Caro Senhor Fernando Vouga.
Ainda vamos ter que fazer do Manuel Alegre um herói nacional.
Com este tipo de análise, o nosso homem ainda se sái limpinho e sem manchas.
Eu penso que MA tem na verdade com ele a envergadura necessária para ser o futuro PR deste país...é mentiroso, tem cinismo e é papagaio.
Além disso participou em acontecimentos importantes e foi pago para fazer o "trabalhinho" dele até ao fim.
Nada há a dizer de um operador que cumpre o seu contrato "com honra" e que entrega, chave na mão, o resultado desejado para que foi pago...a soldo.
Só a "piruêta" literária de certos comentadores poderá convencer, mas os incautos.
Rosa Coutinho, idem, outro herói nacional...
Quando a memória é curta, a História pouco nos diz e... é bem claro que "o vento cala a desgraça" Senhor Fernando Vouga.
Cordiais saudaçõies.
Rui Saraiva Alves.
De
tron a 2 de Julho de 2010 às 17:44
por existirem cidadãos do calibre de alegre que são uma tristeza sou monárquico
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