
O que se passa na Madeira com a sucessão de Jardim não é caso único. Décadas atrás, na Coreia do Norte, um país onde imperava um comunismo radical e feroz, deu-se um impensável: o presidente da república, quebrando todas as regras da sua doutrina política, fez-se suceder pelo seu filho, criando o novo conceito de sucessão no poder, que apelidou de "Socialismo dinástico", pasme-se! E a coisa está para durar, porque quem está hoje no trono é já um neto do primeiro monarca "socialista" da História.
A diferença entre a Coreia do Norte e a nossa tão querida terrinha não é assim tão grande. Com efeito, o sucessor imposto pelo Presidente do GR não é seu filho (vá-se lá saber porquê, se tem a faca e o queijo na mão) mas seu afilhado político. O que, na prática, vai dar ao mesmo. Ou seja, as regras da democracia, os estatutos do partido, a decência enfim, foram compleramente espezinhados. E o que é mais preocupante (talvez pelo grotesco da situação) é ver um jovem a consentir sorridente tal indignidade.
O caso é sério. A semelhança entre a solução norte-coreana e a madeirense é preocupante. A partir de agora, tudo vai ser diferente. A tal ponto, que aposto dobrado contra singelo que, na próxima noite da passagem de ano, o fogo de artifício, seguindo a moda coreana, vai ser substituído pelo lançamento de mísseis.
De jorge figueira a 14 de Abril de 2012 às 17:48
Acompanho-o nessa sua leitura dos factos. As coisas só não são levadas a esses "finalmentes" por uma única razão: o homem não tem dimensão para tal. Matriz psicológica tem. Falta-lhe: população e território. Tivesse esses dois elementos e seria um caso sério de belicosidade.
Caro Jorge
Concordo consigo. É, essencialmente, uma questão de dimensão. Melhor dizendo, de pequenez. Mas há mais: a tutela lisboeta, apesar de tudo ,acaba por colocar um freio na boca do corcel (os cavalos que me desculpem pela comparação...).
E a Madeira só não é independente porque não há dinheiro para tal.
A tutela lisboeta, da qual acho que os madeirenses têm razão de queixa, não deveria ter permitido a deriva chantagista que criou, na impreparada opinião pública madeirense, a ideia de que tudo era possível ao "rei do bailinho". A Portugalidade destes ilhéus foi maltratada com a conivência de quem deveria fortificado esse castelo.
Caro Jorge
Tem toda a razão. Mas não é aí que quero chegar. O que eu quero insinuar é o que o Dr. Jardim não faria se não fosse o fraco poder de Lisboa, mesmo que inconsequente e de má qualidade.
Isto aqui seria um autêntico Haiti da Europa.
PS: o meu Português não está famoso mas acho que ainda dá para entender.
De jorge figueira a 15 de Abril de 2012 às 10:17
Totalmente de acordo. Quanto ao português queixo-me também pois engoli o vocábulo ter no comentário anterior. Parece que a única divergência, se assim posso classificar, é apenas de valorização de uma das vertentes do problema.
Teríamos, não duvido, um Haiti mas as posições de Estado assumidas, por exemplo, pelo o Cdte . Robles (creio ser este o nome do Senhor) tiveram custos pessoais enormes sem que as cúpulas interviessem a pôr ordem na capoeira. É aqui que, reconhecendo o carácter benéfico que o Fernando refere, acho ter havido pusilanimidade a mais.
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