DN-Madeira, 14 de Março de 2014
Passos Coelho, conhecendo muito bem a personalidade líder madeirense, sabia à partida que ele nunca aceitaria ser o número dois de coisa nenhuma. Fazer um convite nessas condições a quem se declara único importante, equivale a uma afronta ou até a um insulto grave. Mais ainda, o simples facto de falar na sua saída, mesmo levando a sério as ameaças de Jardim o fazer, é no mínimo deselegante. É como estar a contar com sapatos de defunto.
Porém, o lider Madeirense limitou-se a recusar a oferta sem grandes alaridos. Não vociferou, não ameaçou, não insultou, não difamou. O que, à primeira vista, parece estranho.
Há até quem diga (acho que foi Marques Mendes) que se tratou de um presente envenenado. Mas tal não deixaria de ser uma jogada demasiado grosseira, mesmo para a política à portuguesa.
O que parece mais lógico — e mais subtil —, é concluir que tudo estava combinado com Jardim. Aparentemente, Passos fechou-lhe a porta de Bruxelas, mas deixou-a aberta para que, sem a tal "saída digna", mas armado em vítima, justifique mais uma recandidatura ao GR-Madeira.
De jorge figueira a 16 de Março de 2014 às 11:38
O seu raciocínio , julgo eu, está correcto. Tudo leva a crer a vitimização em larga escala está por pouco. Quanto mais candidatos surgirem mais trunfos a favor da super candidatura unificadora do partido. Lá teremos o homem que colocou a Madeira à frente dos seus próprios interesses, mais uma vez, sacrificado para servir os madeirenses e também, porque não, "construir Portugal no Atlântico"
A prova dos nove de que esta leitura é verosímil foi apresentada por Marcelo Rebelo de Sousa quando, com a rábula de Cristo vir à Terra, admitiu que AJJ poderia continuar. Jorge Figueira
Caro Jorge
O que me espanta é haver ainda muita gente que acredita que Jardim vai prescindir das mordomias do poder.
É bom que se veja que ele, pelo seu lado, fechou todas as portas que não conduzam à presidência do GR. Talvez porque já percebeu que ninguém o quer em parte nenhuma.
Todos sabemos que, se ele passar a ser um cidadão comum (algo de que ele tem pavor), vai passar muito do seu tempo sentado no banco dos réus. E talvez não se sinta muito seguro quando lhe apeteça dar uma volta a pé pela cidade.
A menos que "dê de frosques".
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