
Imagem recolhida na NET
Já vão longe os tempos em que o cumprimento da palavra dada era um ponto de honra. No Sec. XVI, D. João de Castro, um ilustre governante ao serviço da soberania portuguesas em terras da Índia, não podendo efectuar um pagamento, por falta do dinheiro que lhe deveria ter sido enviado de Portugal, viu-se na situação embaraçosa de ter de empenhar as suas próprias barbas, para garantir que a palavra dada seria cumprida.
De lembrar que, nesse tempo, as barbas tinham muito a ver com a honra e o prestígio dos grandes senhores e, pelos vistos, tinham valor "comercial", digamos assim. Note-se ainda, que D. João de Castro ainda tentou empenhar as ossadas do seu filho, mas elas estavam em tal estado de decomposição que nunca seriam aceites como penhor. E as barbas eram o último recurso de que dispunha.
Poderá parecer ridículo, nos tempos que correm, que barbas e ossos de estimação, servissem de garantia. Mas os princípios eram outros e em questões de honra não se podia transigir.
Vem esta história a propósito do valor da palavra nos dias de hoje. Faltar ao seu cumprimento, ou até mentir descaradamente, passou a ser um acto de esperteza prestigiante. De tal forma, que a prática se está a generalizar ao povo em geral. Por exemplo, numa simples loja de pronto a vestir, nada é garantido. Pergunto: quantos de nós fomos já confrontados com a situação de não nos entregarem no prazo estipulado um par de calças que necessitava de subir a baínha? E, pior ainda, quando tal acontece, os empregados cometem essa desfaçatez com toda a naturalidade e até estranham quando algém mostra um ligeiro desagrado pela indelicadeza e falta de respeito.
Para terminar, lembro que o incumprimento da palavra dada está reservado exclusivamente à classe política, pelo que algo terá de ser firmemente legislado, de modo a pôr fim à apropriação desse expediente pelo cidadão comum.
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