DN-Madeira de 18Mar 2014
O general Amadeu Garcia dos Santos era oriundo da Arma de Engenharia e tornou-se notado pela sua colaboração, desde a primeira hora, no golpe militar de 25 de Abril de 1974. Na sua carreira militar exerceu vários cargos, dos quais se salienta o de Chefe de Estado-Maior do Exército. O último cargo público que desempenhou foi o de presidente da Junta Autónoma das Estradas, no tempo em que o engenheiro João Cravinho era ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território.
No exercício desse cargo, denunciou a existência de um gravíssimo problema de corrupção na Junta Autónoma, que culminava na passagem de dinheiro para o Partido Socialiata. Por essa razão, exigiu a expulsão de vários funcionários. O ministro a princípio aceitou, mas acabou por dar o dito por não dito. Como não poderia deixar de ser, Garcia dos Santos viu-se obrigado a pedir a demissão, que foi aceite, desta vez sem hesitações.
Este e outros casos em que são envolvidos militares acontecem, a meu ver, com demasiada frequência. Em regra, os militares queixam-se de não conseguirem pactuar com aquilo que consideram desonesto, ou pior. Pelo menos, foi o que aconteceu com aqueles que me confidenciaram as razões por que se sentiram obrigados a abandonar cargos fora do âmbito militar.
Partindo do princípio de que esses militares, por passarem a trabalhar no meio civil, continuaram a ser as pessoas honestas que sempre conheci, será então de pensar qua algo de diferente caracteriza os meios castrenses.
Em meu entender a esse comportamento não será alheio o facto de, ao invés do que acontece no meio civil, na sua formação (académica ou nos quartéis), os jovens que entram para o serviço militar serem constantemente metralhados com os valores da Pátria, códigos de honra, princípios de obediência, respeito pelas hierarquias, camaradagem, amor à verdade, regulamentos de disciplina, e por aí fora.
Embora a tropa, como se sabe, não transforme facínoras em santos, parece-me evidente que algo fica nas cabeças dos militares, por efeito de tanta mentalização. Em regra, perdem maleabilidade na coluna vertebral algo que, não os impedindo de chafurdar na porcaria, não os deixa ir tão fundo como muito boa gente desejaria. E caem em desgraça.
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