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Sexta-feira, 21 de Março de 2014
Os militares e a política

 DN-Madeira de 18Mar 2014

 

      O general Amadeu Garcia dos Santos era oriundo da Arma de Engenharia e tornou-se notado pela sua colaboração, desde a primeira hora, no golpe militar de 25 de Abril de 1974. Na sua carreira militar exerceu vários cargos, dos quais se salienta o de Chefe de Estado-Maior do Exército. O último cargo público que desempenhou foi o de presidente da Junta Autónoma das Estradas, no tempo em que o engenheiro João Cravinho era ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território.

      No exercício desse cargo, denunciou a existência de um gravíssimo problema de corrupção na Junta Autónoma, que culminava na passagem de dinheiro para o Partido Socialiata. Por essa razão, exigiu a expulsão de vários funcionários. O ministro a princípio aceitou, mas acabou por dar o dito por não dito. Como não poderia deixar de ser, Garcia dos Santos viu-se obrigado a pedir a demissão, que foi aceite, desta vez sem hesitações.

 

      Este e outros casos em que são envolvidos militares acontecem, a meu ver, com demasiada frequência. Em regra, os militares queixam-se de não conseguirem pactuar com aquilo que consideram desonesto, ou pior. Pelo menos, foi o que aconteceu com aqueles que me confidenciaram as razões por que se sentiram obrigados a abandonar cargos fora do âmbito militar.

      Partindo do princípio de que esses militares, por passarem a trabalhar no meio civil, continuaram a ser as pessoas honestas que sempre conheci, será então de pensar qua algo de diferente caracteriza os meios castrenses.

      Em meu entender a esse comportamento não será alheio o facto de, ao invés do que acontece no meio civil, na sua formação (académica ou nos quartéis), os jovens que entram para o serviço militar serem constantemente metralhados com os valores da Pátria, códigos de honra, princípios de obediência, respeito pelas hierarquias, camaradagem, amor à verdade, regulamentos de disciplina, e por aí fora.

      Embora a tropa, como se sabe, não transforme facínoras em santos, parece-me evidente que algo fica nas cabeças dos militares, por efeito de tanta mentalização. Em regra, perdem maleabilidade na coluna vertebral algo que, não os impedindo de chafurdar na porcaria, não os deixa ir tão fundo como muito boa gente desejaria. E caem em desgraça.

 



publicado por Fernando Vouga às 16:24
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3 comentários:
De jorge figueira a 24 de Março de 2014 às 17:23
Estando, no essencial, de acordo com aquilo que refere, pois de alguns militares têm surgido, nestes quarenta anos, belos exemplos de quem não pactua com situações menos claras - recordo o Gen . Eanes que depois ter visto o Tribunal decidir a seu favor um processo prescindiu de receber aquilo a que tinha direito - penso que todos somos "farinha do mesmo saco". 
Várias lacunas da nossa democracia - o financiamento dos partidos tem aqui um peso decisivo - levam-nos a situações de descredito relativamente a quem assume a defesa do bem comum. Aqui, com formação diversa da militar, ganham predominância outros cidadãos e, caindo a nodoa no melhor pano, lá temos o homem de Gondomar a comprovar que somos todos "farinha do mesmo saco". Homens probos temo-los em todas profissões. Assim penso eu, meu Caro Fernando. jorge figueira


De Fernando Vouga a 24 de Março de 2014 às 22:05
Caro Jorge


Se houvesse um honestómetro, seria fácil separar as águas.
A minha análise, pouco rigorosa como tudo que se relaciona com a natureza humana, tem a ver com os muitos casos que conheço, quer na política, quer na administração pública. De um modo geral, tenho verificado que são raros casos em que os militares dão bons políticos, a começar por Napoleão.
Penso eu de que...


De jorge figueirai a 25 de Março de 2014 às 19:19
Não estando para breve a descoberta do  "honestómetro" poderiam os nossos partidos (seguindo nisso a extinta ANP /UN ) a qualidade da participação cívica dos filiados. Assim, juntando-se-lhe o cumprimento da lei do financiamento dos partidos, credibilizavam-se os partidos e com isso própria democracia. 
Utopia, bem sei! jorge figueira


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