Mário Beja Santos dispensa apresentações.
Das várias obras literárias de que é autor, parece-me ser do maior interesse divulgar neste espaço “A Viagem do Tangomau”.
Numa altura em que corremos o perigo de deixar para o esquecimento uma guerra que durou treze anos e que envolveu toda uma uma geração de jovens portugueses (e também de africanos das nossas antigas colónias), torna-se urgente esclarecer ou avivar a memória dos muitos — incluindo governantes — que teimam em pensar que essa guerra foi uma mera bricadeira de crianças.
Tangomau, que parece ser o “alter ego” do autor, é a personagem central desta extensa obra literária que descreve de uma forma minuciosa, talvez mesmo microscópica, a sua longa passagem pelas Forças Armadas.
Como tantos que foram mobilizados para a guerra, Tangomau teve de deixar a sua vida académica e foi parar à Guiné.
Como omandante de um pelotão de tropas nativas era, ao mesmo tempo, responsável pela segurança e bem estar das populações locais. Tarefa assás difícil e delicada, uma vez que a área à sua responsabilidade era alvo frequente de acções dos guerrilheiros, que causaram demasiados mortos e feridos, tanto em civis como em militares.
Porém, como acontecia muitas vezes a quem conviveu intimamente com os africanos “do mato”, o nosso herói apaixonou-se por aquela gente. Por ela arriscou a sua vida, por ela deu o seu melhor para lhe aliviar o sofrimento e proporcionar uma melhor qualidade de vida. Paixão essa que perdurou muito para além do conflito.
De salientar nas suas descrições operacionais a incompreensão sempre latente entre aquelas que fazem a guerra no terreno e aqueles que a planeiam e ordenam. Mas, ao contrário dos guerrilheiros que beneficiam de uma grande autonomia, esta é uma das grandes limitações das “tropas da ordem” nas quais há que controlar tudo e prestar contas aos escalões superiores.
De notar ainda um certo desdém que se nota em relação ao comandante-chefe e governador, que Tangomau insiste em chamar-lhe brigadeiro em vez de general...
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