George Orwell combateu na guerra civil espanhola, integrado nas forças marxistas. Porém, a despeito das paixões violentas que essa guerra despertou, teve a lucidez suficiente para reconhecer que esse conflito não se destinava a libertar o povo espanhol mas apenas substituir um totalitarismo por outro, quiçá pior.
A obra que aqui se apresenta, é um ataque cerrado a todas as formas de totalitarismo. Embora escrita em 1949, é de uma grande actualidade, quase profética, e lança um sério aviso sobre determinadas metodologias de quem nos governa (ou de quem manda nos governantes) que, a pouco e pouco, vão cerceando a nossa liberdade.
Ao longo da História, houve muitas tentativas de dominar o mundo, que acabaram por fracassar. Átila, Gengis Khan, Napoleão, César, Hitler, Stalin tentaram-no pela força. Outros, mais inteligentes, preferiram entrar na “alma” das pessoas para as controlar e explorar. Assim foi nos tempos bíblicos em que os Hebreus, para justificarem o seu domínio sobre os “gentios” do mundo então conhecido, criaram um deus muito conveniente que os elegeu como executores da sua vontade. Um deus omnipotente, omnipresente e omnisciente. Tudo via e tudo sabia, passado, presente e futuro, inclusivamente, o que se passava na mente de todos. Não havia qualquer possibilidade de se esconder fosse o que fosse…
Orwell, nesta sua obra, criou a figura do “Grande Irmão” (Big Brother) com as mesmas capacidades do deus dos Hebreus. Para tal, na falta do poder mágico dos deuses, serve-se dos avanços da tecnologia de forma a controlar tudo e todos. “O Grande Irmão está a ver-te” (The big brother is watching you), é o lema.
Claro que se trata de uma alegoria, um tanto sarcástica, mas que nos alerta contra o perigo de sermos transformados em seres amorfos, acéfalos, sem espírito crítico, sem ideias próprias e submissos. Ou seja, carne para canhão e mão-de-obra ao preço da chuva.
E o que está a acontecer hoje já é assustador. Paulatinamente, o Estado, a propósito de tudo e mais alguma coisa, vai instilando na mente das pessoas a sensação de que estamos ameaçados por perigos, reais ou fabricados, que justificam o corte sistemático das nossas liberdades mais elementares. Tudo em nome de uma segurança que, curiosamente e para nossa desgraça, nunca funcionou como deveria…
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