Viver na terceira idade tem as suas vantagens e os seus inconvenientes. Mas estes não são para aqui chamados, porque não vale a pena chorar sobre o leite derramado. O tempo não volta para trás. Quanto às vantagens, vou apenas referir a de não se ter de aturar chefes e patrões. O que não é pouco...
Porém, mesmo esquecendo as desvantagens, nem tudo são rosas. Nos tempos que correm, vulgarizou-se uma linguagem, quiçá desenvolvida pelas pessoas bonzinhas que, numa espécie de caridade “low cost” (perdoem-me o barbarismo), fingem querer amenizar a velhice, tratando os anciãos por eufemismos rascas e malparidos, em vez de tentar resolver as verdadeiras dificuldades inerentes ao peso dos anos.
Já agora, aproveito para referir que a dita caridade já chegou aos pretos, que passaram a ser negros (qual é a diferença?), aos pobres, que “viraram” desfavorecidos (será que os defesas no futebol passaram a ser desavançados?), aos paralítcos, que foram promovidos a paraplégicos, tetraplégicos e exaplégicos (no caso de terem cornos), aos cegos que, pelos vistos, melhoraram a visão passando a ser invisuais, às alternadeiras que já não são aquilo que se dizia, ao cocó que mantém o cheiro, e por aí fora.
Vem ainda a talho de foice — as palavras são como as cerejas —, uma espécie de dialeto amplamente utilizadona TV, que se situa entre o intelectualês e o complicadez. Para exemplificar, segue uma pequena amostra em jeito de dicionário de bolso:
Enfim, malhas que o “pugresso” (*) tece...
Mas estou a fugir ao tema. O que me traz aqui é o termo “idoso”, o que quer dizer que “tem idade”. Algo que podemos, com toda a propriedade, chamar a um recém nascido com poucos segundos de vida.
Posto isto, não se percebe bem a razão pela qual passaram a chamar aos velhos idosos. O que é que tem de mal a palavra “velho” quando aplicada a pessoas?
Eu cá, quando alguém me chama idoso, fico com vontade de lhe dar uma resposta torta.
(*) Escrito em cavaquês
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