Para os leitores não madeirenses, esclareço que há na Madeira um periódico, o Jornal da Madeira (JM), que é propriedade da diocese do Funchal. Mas, por razões que só o anterior presidente do Governo Regional conseguirá explicar devidamente, essa publicação passou a ser sustentada por dinheiros públicos ou seja, pelos contribuintes, e distribuída gratuitamente. Acontece porém que a orientação dos seus conteúdos é clara e descaradamente favorável ao PSD-M, de tal forma que se tornou, na prática, num mero órgão de propaganda partidária. Enfim, um escândalo vergonhoso, a que os candidatos à liderança do partido prometeram por termo, embora não explicassem como.
Existe na Madeira mais um jornal, o Diário de Notícias da Madeira (DN-M) que, sendo também propriedade privada, não recebe qualquer subsídio governamental e os exemplares são pagos por quem os compra. Tal como acontece na comunicação social dos países livres, os seus conteúdos serão orientados muitas vezes pelas conveniências de quem o financia. Porém, como só o compra quem quer, não há nada a reclamar.
Verifica-se, no entanto, que apesar das promessas de quem está agora no poder, o governo regional aponta para a eternização desta vigarice, quiçá com a desculpa de salvar a empresa diocesana e assim garantir a manutenção dos postos de trabalho, blá, blá, blá. O que faz pouco sentido, porque um governo cuja irresponsabilidade caloteira da administração anterior levou à falência muitas empresas e lançou lançou no desemprego centenas de madeirenses, não tem moral para estar agora preocupado com o futuro de um jornal privado que há anos tem sido sustentado com dinheiros públicos e tem, apesar das ajudas, um passivo que rondará os 50 milhões de euro.
Ou será que ter propaganda partidária à borla é mais importante?
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